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Cultivo

Sementes: Quais escolher e como as germinar?

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Gorilla Girl® - Sweet Seeds® - Foto: Tommy L. Gomez

Em qualquer cultivo caseiro de canábis uma planificação minuciosa é meio caminho andado para o sucesso. A escolha das variedades que vamos cultivar assume um papel preponderante nesta etapa inicial em que projetamos a nossa próxima aventura canábica. Neste primeiro artigo vamos começar por abordar os parâmetros sobre os quais devemos apoiar a escolha das nossas sementes e fechamos com um guia rápido sobre como germinar sementes, com vista a uma taxa de germinação tão alta quanto possível. 

Texto de Tricomaria, originalmente publicado no #1 da Cannadouro Magazine
Macrofotografia de Tommy L. Gomez

Autoflorescentes ou Fotodependentes?

No momento da escolha das sementes é importante que a decisão entre fotodependentes ou autoflorescentes seja tomada de forma consciente e informada, com bastante ponderação, atentando nas suas fortes implicações na planificação que fazemos do nosso cultivo. A técnica de cultivo que pretendemos colocar em prática, assim como o tipo de cultivo (interior, exterior, guerrilha, cultivo em varanda, etc.), entre outros parâmetros, devem ser tidos em conta no momento de optar entre fotodependentes ou autoflorescentes.

As plantas fotodependentes são aquelas que, tal como parcialmente implícito na sua designação, estão dependentes do número de horas de luz diária para transitar da fase de vegetativo para a fase de floração. Em exterior, a floração começa no pico do verão, quando os dias começam a ficar mais pequenos e nos aproximamos das 12 horas de luz diária. Em interior, com luz artificial, é o cultivador que toma a decisão, alterando o fotoperíodo dos comuns 18/6 (ou seja, 18 horas de luz e 6 horas de escuridão) para 12/12. Deste modo, o cultivador tem total controlo sobre o momento em que se dá inicio à floração.

Por outro lado, as plantas autoflorescentes são aquelas que dão início à sua floração quando atingem determinada idade, o que normalmente ocorre entre 3 e 4 semanas após a germinação. A sua floração começa dentro deste espaço temporal independentemente do fotoperíodo a que a planta está sujeita. São também conhecidas como plantas “automáticas”, o que tende a levar os cultivadores menos experientes à errada assunção de que são mais fáceis de cultivar, como se todas as etapas do seu ciclo de vida se desenrolassem de forma “automática”. 

Cream Caramel®

Porém, para qualquer cultivador de interior menos experiente, as plantas autoflorescentes acabam por acrescentar uma dificuldade extra. Às 3 ou 4 semanas após a germinação as plantas dão início à floração, independentemente da saúde e estrutura que apresentam nesse exacto momento. Assim, não sobra ao cultivador qualquer margem temporal para a correção de eventuais imprevistos, tais como excessos ou carências de fertilização, pragas, crescimento lento derivado de parâmetros inadequados, etc.

Pelo contrário, no caso das variedades fotodependentes, o cultivador assume controlo total do momento em que a planta entra em floração, pelo que tem na sua mão a possibilidade de decidir aguardar mais uns dias ou semanas até qualquer imprevisto estar resolvido ainda com a planta a vegetar. Neste sentido, aconselhamos qualquer cultivador menos experiente a optar pelas fotodependentes, deixando as autoflorescentes apenas para quando tiver suficiente experiência para estar seguro de que aos 25 dias desde a germinação a planta vai estar saudável e com uma estatura adequada ao início da floração. 

Principais vantagens das plantas fotodependentes

-> Controlo total sobre o momento de inicio de floração;

-> Tendência para um perfil cannabinoide mais rico;

-> Tendência para terpenos mais agradáveis;

-> Possibilidade de produção mais generosa;

-> Possibilidade de selecção de plantas mãe para cultivo a partir de clones.

Principais vantagens das plantas autoflorescentes:

-> Cultivos mais rápidos;

-> Mais de uma colheita anual em exterior;

-> Possibilidade de cultivo com luz sempre acesa em interior, o que permite reduzir a amplitude térmica;

-> Possibilidade de cultivo em varandas onde incide iluminação pública.

Sativas, Índicas ou híbridas Índica-Sativa?

As plantas de predominância Sativa ou Indica diferenciam-se ao nível da estrutura e estatura da planta, tempo de floração, sensibilidade aos parâmetros de cultivo, mas, principalmente, ao nível dos efeitos e das características organolépticas do produto final. É importante que o cultivador faça uma escolha informada, pois as diferenças entre Sativa e Indica são substanciais.

Índicas

As plantas de predominância Índica tendem a desenvolver-se com uma estatura mais baixa e uma estrutura mais arbustiva, com um número superior de ramos e um espaço entre nós bastante curto, o que torna a planta muito mais compacta. As supracitadas características associadas a uma tendência para tempos de floração mais curtos, geralmente entre 7 e 9 semanas, fazem com que as plantas Indicas sejam conhecidas por serem mais fáceis de cultivar, especialmente nos cultivos em interior com luz artificial.

Já ao nível do perfil canabinóide e efeitos percebidos, as Índicas são conhecidas pelo seu efeito tendencialmente físico, narcótico, relaxante e ansiolítico. O seu efeito é adequado a momentos de descontração e descanso, ideal para relaxar no sofá ou para uma boa noite de sono profundo e revigorante. 

No que aos aromas diz respeito, as variedades Índica podem apresentar notas de terra, banana, frutos do bosque, papaia, lúpulo e especiarias, entre outras.

Sativas

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As plantas de predominância Sativa apresentam uma estatura mais alta e uma estrutura mais do tipo de pinheiro bravo, com um espaço entre nós mais amplo. O tempo de floração é mais prolongado, geralmente entre 9 e 12 semanas, o que em exterior pode fazer com que apenas atinjam a maturidade ideal para a colheita já na segunda metade do mês de Outubro ou até mais tarde. Esta característica pode ser especialmente problemática em zonas onde o início do Outono contempla dias chuvosos e/ou noites frias (temperaturas abaixo dos 12º C). Neste sentido, pelo tempo de floração alargado e pela sua estrutura menos compacta, as Sativas tendem a ser um pouco mais difíceis de cultivar.

No que ao efeito diz respeito, das plantas com predominância Sativa podemos esperar euforia, extra psicoactividade, sensações de leveza, energia, motivação e criatividade. Um efeito adequado a passeios pela natureza, prática de alguns desportos, práticas artísticas, bem como para socializar com amigos.

Os aromas das variedades com predominância Sativa tendem a apresentar notas de citrinos, manga, madeira e por vezes notas florais leves.

Híbridos Indica-Sativa

De referir também que qualquer cruzamento entre variedades Indica e Sativa dá origem a híbridos que podem variar na sua percentagem indica-sativa. Geralmente, mesmo para quem tem uma clara preferência por Indicas ou Sativas, a opção por híbridos 75%-25% pode ser a mais adequada. Ou mesmo 50%-50%, para o melhor dos dois mundos.

Regulares ou Feminizadas?

Desde há cerca de duas décadas, as sementes feminizadas invadiram o mercado até então dominado pelas sementes regulares. Nos primeiros anos, este novo conceito de sementes ganhou uma fama algo negativa, uma vez que os procedimentos adoptados para a sua produção estavam ainda longe de ser os ideais. Ora, como se sabe, para a obtenção de sementes feminizadas é necessário reverter o sexo de uma planta fêmea para que esta produza flores macho que, por sua vez, produzirão pólen que se espera que seja feminizado. 

Nos primeiros anos, esta reversão de sexo era conseguida através da aplicação de stress ambiental de diferentes tipos. O pólen obtido era por sua vez utilizado para polinizar flores de outras plantas fêmea não stressadas, na expectativa de uma descendência feminizada. Porém, é um dado adquirido que aquelas plantas que cedem à reversão de sexo através de stress ambiental têm tendência ao hermafroditismo. Algo que era inevitavelmente passado para a descendência, o que deu má fama às primeiras sementes feminizadas que apareceram no mercado, pois era demasiado comum que estas sementes produzissem elas próprias plantas hermafroditas ou, no mínimo, plantas fêmeas extremamente sensíveis, que ao mínimo stress ambiental produziam também flores macho, algo extremamente indesejado em qualquer cultivo.

Poucos anos mais tarde, entre 2003 e 2005, alguns bancos de sementes espanhóis tornaram-se pioneiros na produção de sementes feminizadas com recurso a um procedimento alternativo ao stress ambiental para reversão de sexo. A reversão de sexo era então feita com recurso a Tiossulfato de Prata, mais conhecido como STS (Silver ThioSulfate), um método de indução de produção de flores macho férteis em plantas de canábis fêmeas desenvolvido pelo botânico indiano H. Y. Mohan Ram.

Gorilla Girl®

Através da aplicação de STS em flores fêmeas de canábis passou a ser então possível reverter o sexo de fêmea para macho inclusive nas plantas que não cedem à reversão de sexo por stress ambiental. Ou seja, aquelas plantas fêmeas mais resistentes a mudanças de sexo por stress ambiental e, assim, menos dadas a hermafroditismos, podiam agora ser revertidas com vista à recolha de pólen 100% fêmea. Este pólen posteriormente utilizado para polinizar flores de plantas fêmea, permite que a descendência apresente níveis de feminilidade na ordem dos 99,7%, reduzindo-se desta forma praticamente por completo o aparecimento de plantas hermafrotidas na descendência.

Assim, desde meados da primeira década do presente milénio, as sementes feminizadas começaram a limpar a sua imagem e a conquistar a preferência de uma larga maioria dos cultivadores de canábis. A única, mas muito importante, vantagem das sementes feminizadas relativamente às sementes regulares, é a certeza de que todas as sementes que o cultivador germina vão dar origem a plantas fêmeas. O que por sua vez resulta extremamente vantajoso a vários níveis, tais como poupança de espaço útil de cultivo em interior, poupança de terra, de trabalho em tarefas de cultivo, menos gastos em água e fertilizantes, etc.

Germinação de Sementes

Para uma taxa de germinação tão alta quanto possível, aconselhamos a germinação em papel (guardanapos, papel de cozinha ou lenços de papel) humedecido mas não encharcado. Uma vez colocadas entre duas camadas de papel humedecido, devem ficar hermeticamente fechadas dentro de qualquer recipiente de plástico, vidro ou cerâmica durante as primeiras 24 horas. 

Após 24 horas, abrimos o recipiente para que se possa dissipar a condensação, evitando-se o aparecimento de fungos. O recipiente pode ficar ligeiramente aberto durante as 48 horas seguintes. Normalmente a grande maioria das sementes germina em entre 24 e 72 horas, mas algumas sementes podem precisar de algum tempo mais, podendo chegar aos 8 dias. Neste caso, se a determinada altura o papel tiver perdido já grande parte da humidade inicial, aconselha-se a pulverização de água por forma a que este recupere a húmidade perdida. 

A maior parte dos bancos de sementes apenas colocam no mercado os lotes que superam os testes com taxas de germinação superiores a 95% e, durante os primeiros 3 anos, esta taxa deverá manter-se desde que as sementes sejam conservadas de forma adequada. Se conservadas em local escuro, hermeticamente fechadas e protegidas de temperaturas extremas, garantimos que no momento em que as decidirmos germinar, elas retribuirão com o melhor de si.

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