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Sucesso da Cannadouro dita nova edição para 2018

A primeira edição da Cannadouro — Feira Internacional do Cânhamo, que se realizou a 18 e 19 de Novembro na Alfândega do Porto, foi um sucesso, de tal modo que João Carvalho, da organização, anunciou que já está a preparar a segunda edição do certame. Figura icónica no panorama canábico português, João Carvalho falou com […]

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A primeira edição da Cannadouro — Feira Internacional do Cânhamo, que se realizou a 18 e 19 de Novembro na Alfândega do Porto, foi um sucesso, de tal modo que João Carvalho, da organização, anunciou que já está a preparar a segunda edição do certame. Figura icónica no panorama canábico português, João Carvalho falou com a Cannapress no final da Cannadouro para fazer um balanço da sua actividade.

“O grande objectivo cumpriu-se: está criado o local de encontro da cultura canábica em Portugal”, pode ler-se no comunicado de imprensa enviado pela Cannadouro. Segundo dados oficiais, o evento contou com cerca de 60 stands, divididos entre participantes e patrocinadores, 30 empresas nacionais e internacionais, 14 conferências paralelas e recebeu mais de 2.500 visitantes, entre os quais 250 profissionais acreditados.

Imagem geral da Cannadouro Foto: DR

Também Alberto Pires, co-organizador do evento, confirmou este sucesso junto das empresas representadas: “A nível empresarial, o feedback que recebemos foi extremamente positivo e já temos interesse e reservas para a edição do próximo ano. As empresas obtiveram a prova de que o mercado português merece a sua atenção e apresenta grande potencial.”

A feira promoveu o debate sobre a utilização do cânhamo em todas as suas vertentes — industrial, recreativa e medicinal — e afirmou-se, assim, como “o centro de encontro da cultura canábica de toda a faixa atlântica da Península Ibérica, com visitantes a deslocar-se ao Porto desde o Algarve até à Galiza”, disse João Carvalho em entrevista à Cannapress.

[perfectpullquote align=”right” cite=”” link=”” color=”” class=”” size=””]”A pessoa que faz auto-cultivo não tem necessidade de alimentar o tráfico. Mais de 80% da oferta de drogas leves em Portugal é haxixe de péssima qualidade e isso resulta da ilegalidade”[/perfectpullquote]

Autor do prólogo do livro de Jack Herer “O Rei vai Nú”, João Carvalho interessou-se muito cedo pelo universo da planta Canábis Sativa L.: “No início dos anos 90 fiz um trabalho sobre o cânhamo para uma cadeira e em 1995 inscrevi-me num mestrado que não concluí, mas que me permitiu recolher muita informação. Posso dizer com algum orgulho que, provavelmente, serei a pessoa que tem mais referências bibliográficas sobre o cânhamo em Portugal, porque corri as bibliotecas mais importantes do país, muitas até pequenas, mas situadas em zonas historicamente relacionadas com o cânhamo. Há muitíssima literatura, sobretudo desde o séc. XVIII, em que o cânhamo era tratado como uma das grandes culturas agrícolas, sem nenhum preconceito.”, refere.

Em 2001, juntamente com Luís Torres Fontes, editor da Via Óptima, escreve a “Breve história da Canábis em Portugal”, que, anuncia, irá ter continuação em breve: “Há um plano para fazer isso, porque o primeiro livro vai até 2001, ou seja, já apanha o uso recreativo da canábis, mas não o que aconteceu a seguir com a descriminalização das drogas em Portugal”.

O famoso livro de Jack Herer, editado em Portugal pela Via Óptima, conta com um prólogo assinado por João Carvalho

A partir de 2006 João Carvalho envolveu-se na organização da primeira Marcha Global da Marijuana (MGM) e ficou para sempre ligado ao movimento pela legalização da canábis em Portugal. Embora admita o desejo pela legalização para todos os fins, João Carvalho diz que não acredita isso aconteça nesta legislatura: “Acredito que o primeiro passo vai ser a legalização do uso medicinal, o que arrasta consigo o auto-cultivo. Depois o auto-cultivo necessita das sementes e estando essa possibilidade em aberto o uso recreativo será o fim, mas sou da opinião que se devia legalizar, obviamente e rapidamente, a utilização da canábis para todos os fins”.

Questionado sobre o auto-cultivo, João Carvalho assume uma posição muito clara: “A pessoa que faz auto-cultivo não tem necessidade de alimentar o tráfico recorrendo ao mercado negro. Mais de 80% da oferta de drogas leves em Portugal é haxixe de fraca qualidade, de péssima qualidade mesmo, e isso resulta da ilegalidade. A nível da redução de riscos seria positivo regulamentar esse acesso. Eu deixei de fumar haxixe há mais de 10 anos, se fumo é só de extremíssima qualidade, portanto acho que na redução de riscos sem dúvida que é preferível fumar erva do que fumar haxixe”.

Foto de Destaque: Cristiana Milhão — DN / Global Imagens

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