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Tailândia: Canábis fora da Lista de Narcóticos

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O Ministério da Saúde Pública da Tailândia anunciou terça-feira que aprovou a remoção da canábis da lista de narcóticos. A medida surge um mês antes da reunião da 63.ª Sessão da Comissão de Drogas e Narcóticos das Nações Unidas, a decorrer de 2 a 6 de Março em Viena.

A medida foi aprovada mediante regulamentação ministerial, disse a vice-porta-voz do governo, Traisulee Traisaranakul. O regulamento estabelece que os investigadores ficam em condições de conduzir pesquisas sobre os efeitos da canábis em medicamentos, cosméticos e na planta no seu estado natural, de acordo com a política do governo Tailandês.  A medida pretende, acima de tudo, aumentar a competitividade da produção do país, disse Traisulee ao The Nation: “Preliminarmente, este regulamento permite o cultivo de plantas de canábis por indivíduos e empresas, sujeito às condições de comércio e posse”.

Traisulee deu também a conhecer que segundo o regulamento “as plantas de canábis podem ser cultivadas no máximo em um Rai por família” (1 Rai = 1600 metros quadrados), acrescentando que “os produtores devem ser licenciados e cultivar apenas as espécies especificadas no novo regulamento”.

ONU deverá reclassificar canábis na lista de Narcóticos

A 63.ª Sessão da Comissão de Drogas e Narcóticos das Nações Unidas, a decorrer de 2 a 6 de Março em Viena irá rever o estatuto da canábis na lista de narcóticos. Na agenda provisional da sessão, o ponto 5 (a) discutirá o controlo de substâncias, nomeadamente as recomendações relativas à catalogação da canábis e substâncias relacionadas nas tabelas das substâncias controladas.

Dr. Ganja: Mascote desmistifica canábis na Tailândia

A apresentação deste novo regulamento não foi a única novidade por parte do Ministério da Saúde da Tailândia, que apresentou o Dr. Ganja. Trata-se de um brinquedo verde, de peluche, para ajudar a educar a população tailandesa sobre os benefícios da canábis medicinal. O Dr. Ganja representa também o simbolismo da recente implementação da canábis medicinal na Tailândia.

As estatísticas demonstram que esta recente indústria pode, até 2024, expandir-se para mais de 660 milhões de Dólares Americanos. Os números e o potencial económico são motivo para convencer o Vice-Primeiro-Ministro Tailandês, Anutin Charnvirakul, que é um dos maiores líderes e apoiantes do movimento pró-canábis pela regulamentação medicinal. É com base neste cenário que o vice-ministro projecta adicionar plantações de canábis e instalações de processamento. Nos planos está também a ampliação dos hospitais locais para se tornarem líderes da canábis medicinal. 

Thanaporn Pornsangakul, cientista do Centro de Desenvolvimento de Plantas Pela Plern, é responsável pelo cultivo e fornecimento de plantas de canábis medicinal para o único hospital credenciado internacionalmente de Buriram. “Há muitos interessados ​​em cultivar canábis”.

O governo tailandês investiu 100 milhões de baht (3,3 milhões de dólares americanos) na primeira instalação de cultivo em recinto fechado. Foi inaugurada no ano passado, além de 12.000 mudas de plantas de canábis, afirmaram os consultores da Prohibition Partners. “O plano de preparar um milhão de frascos de óleo de canábis até fevereiro de 2020 mostra ambição por parte do governo tailandês”, acrescentou a consultora.

“A Tailândia mostrou-se líder da reforma legislativa das drogas entre os países asiáticos, especialmente em relação à canábis medicinal”, referiu Barbara Pastori, directora de consultoria da Prohibition Partners. “É provável que também seja o caso da canábis recreativa, principalmente se houver uma forte vontade política de fazê-lo.”

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