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Ana Rita Andrade: “Fico satisfeita que exista mais um produto para prescrição médica”

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Foto: Miguel Schmitt | Cannareporter

Ana Rita Andrade tem 34 anos, é Médica de Medicina Geral e Familiar e responsável pela Kanab Clinic, uma clínica especializada em tratamentos com canabinóides. Ana Rita é também paciente de Esclerose Múltipla (EM) e tem usado os canabinóides para minimizar os sintomas da sua patologia. Depois da aprovação pelo Infarmed da primeira substância ou preparação à base de canábis, flores secas com 18% de THC, o Cannareporter falou com Ana Rita para saber de que forma este novo produto a poderá ajudar.

Este novo produto pode resolver os seus problemas, enquanto médica e enquanto paciente?
Enquanto doente fico muito contente que exista mais um produto seguro e de qualidade, com programa de fármacovigilância, disponível para o tratamento de um dos sintomas mais limitantes da EM que é a espaticidade e rigidez muscular associada à EM. Enquanto Médica, fico satisfeita que exista mais um produto disponível para prescrição médica. Isto irá levar, inevitavelmente, ao maior conhecimento no manejo e seguimento de doentes sob tratamento com canabinóides. Em conjunto, tudo se coaduna em melhorias para o doente.

Tendo em conta que ainda não foi anunciado o preço, qual seria o valor aceitável a pagar pelos pacientes por este produto?
Não sou capaz de adiantar um preço para o produto. Só posso dizer que o valor do produto irá, provavelmente, seguir as mesmas regras que outras preparações e medicamentos seguem. Ou seja, o cálculo do preço deverá ser feito com base nos 4 países de referência, e segue regras específicas para o cálculo de preços de medicamentos.

Que outros derivados de canábis espera ver aprovados este ano em Portugal?
Na minha opinião, os produtos que poderão estar disponíveis serão os produtos cujas AIM forem submetidas ao Infarmed, pelas farmacêuticas. Muito provavelmente, no caso da Tilray Portugal por exemplo, que até agora é a única farmacêutica com autorização de introdução no mercado, os produtos que irão apresentar/submeter serão os produtos que ja produzem e exportam. Neste sentido, e provável que possam surgir nas farmácias extractos completos de canábis, além da flor THC 18% ou até de outras concentrações e rácios mais equilibrados.

Quantos doentes estima que possam vir a beneficiar deste produto?
Não tenho ideia dos números epidemiológicos relativos às 7 indicações do Infarmed para o uso destas substâncias. Para o uso em dor crónica, náuseas e vómitos induzidos por quimioterapia e espasticidade/rigidez muscular associados a lesões do Sistema Nervoso Central (SNC), a população é muito superior, quando comparada, por exemplo, ao uso em epilepsias refractárias, que são muito menos incidentes, logo a população será menor. No entanto, actualmente a prescrição de canábis deverá ser realizada, pelo menos inicialmente, em concomitância com outros tratamentos e, caso os doentes se mostrem refractários aos tratamentos anteriormente instituídos, aqui surgem 2 questões: 1 – As limitações do SNS para aplicar as técnicas mais diferenciadas, deixando alguns doentes com menor acesso, ou maior dificuldade a ter estes cuidados; 2 – Só poderão ter acesso a canábis medicinal e preparações e substâncias, caso se tenham mostrado, pelo menos, parcialmente refractários a todas as opções terapêuticas. Mas se ainda há muitos doentes que não têm acesso a determinadas terapias, então quando poderão tentar um tratamento com canabinóides? Penso que estes doentes, que não têm acesso a outras terapêuticas, possam ter um acesso mais célere a preparações e substâncias à base da planta da canábis.

A quantos pacientes pensa que o poderá prescrever assim que estiver disponível?
Mais uma vez não consigo apontar números. Sabemos que a dor crónica é um grande flagelo em Portugal, sendo muito prevalente. Caso estejamos a falar de dor crónica, então os doentes com características dolorosas irruptivas, principalmente, e que se enquadrem dentro das indicações médicas, poderão ser um número elevado. Também os doentes com náuseas e vómitos induzidos por quimioterapia podem elevar o número de doentes com necessidade da utilização de canabinóides, preferencialmente por via inalatória. Os doentes com outras doenças do SNC que refiram espasticidade e ou rigidez muscular refractárias, como por exemplo o AVC, que é a principal causa de mortalidade e morbilidade em Portugal, também poderão ter benefícios com esta terapêutica. Como médica de Medicina Geral e Familiar, acabo por ser o médico “gestor de caso” de muitos destes doentes complexos, uma vez que a MGF faz a interface com as diferentes especialidades e terapêuticas instituídas, podendo ser um dos factores mais importantes para a gestão destes casos e das respectivas prescrições.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos é Jornalista desde 1998, tendo desempenhado funções de redactora e repórter em vários meios de comunicação (RTP, Euronotícias, BiT, A Capital, Sábado, JN). Foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, em 2004/2005, altura em que fez uma pós-graduação em Fotografia Profissional no Istituto Europeo di Design de Roma. De 2006 a 2009 foi Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação e criou o arquivo fotográfico de street-art “O que diz Lisboa?”. Co-fundadora do jornal A Folha — Cultura Canábica para Adultos (2008) e da CannaPress (2017), Laura Ramos é actualmente Editora do CannaReporter e da Cannadouro Magazine, tendo realizado o documentário “Pacientes”, sobre os utilizadores de canábis medicinal em Portugal. Fundadora e directora de programa das conferências internacionais de cannabis medicinal PTMC - Portugal Medical Cannabis (2018), Laura integrou ainda a equipa de organização da primeira Pós-Graduação em GMP’s para Canábis Medicinal (2019), em parceria com o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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