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Nacional

Amigos lançam campanha para ajudar agricultor de cânhamo de Estremoz a pagar defesa em tribunal

Laura Ramos

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Foto: D.R.

Os amigos e a família de Barry McCullough, o agricultor de cânhamo industrial detido pela GNR no passado dia 28 de Julho por “suspeitas de tráfico de droga”, lançaram uma campanha para ajudar a financiar as despesas da sua defesa em tribunal.

Com esta iniciativa (que consiste em donativos através do Paypal) os amigos esperam conseguir pelo menos os 1.500 euros que Barry já gastou com o início do processo, mas os custos “vão aumentar”.

Barry, 42 anos, de nacionalidade inglesa, foi detido a 28 de Julho passado, constituído arguido e a sua plantação de cânhamo totalmente destruída. Passou uma noite na cadeia, o seu computador e telemóvel foram apreendidos e no dia seguinte foi presente a Tribunal. Entre as medidas de coacção foi-lhe aplicado o termo de identidade e residência, com apresentações semanais obrigatórias numa esquadra e impossibilidade de se ausentar do país nos 90 dias seguintes.

Na imagem da apreensão é possível ver o saco de sementes de cânhamo que Barry importou de França. Foto: D.R. | GNR

A detenção aconteceria numa operação levada a cabo pelo Núcleo de Investigação Criminal da Guarda Nacional Republicana (GNR), com origem numa “informação” não divulgada pela GNR. No mesmo dia, o Comando Distrital de Évora emitiu um comunicado de Imprensa, amplamente difundido pelos meios de comunicação social, onde referia que os militares tinham “apreendido mais de 450 plantas de canábis” e que “o produto já preparado daria para cerca de 50.000 doses individuais”, num “valor superior a 500 mil euros”. Referia ainda que ““o suspeito assumiu ser o proprietário e produtor, não possuindo qualquer tipo de autorização para o cultivo ou venda desta planta.”

Em entrevista ao Cannareporter, Barry McCullough garante que cultivou “cânhamo industrial”, para o qual “já tinha obtido autorização em 2018 e 2109”, mas confessa que, este ano, “ainda aguardava o deferimento final da DGAV”, após duas trocas de e-mails e de documentação com Teresa Pais Coelho, Chefe de Divisão de Variedades e Sementes (entretanto substituída por Conceição Carvalho, no passado mês de Julho). A resposta tardou e, receando a mesma situação de 2020 (em que a DGAV não emitiu autorizações), Barry decidiu cultivar “apenas 1 quilo de sementes”. O objectivo era “experimentar o desempenho da planta na produção biológica de óleo de sementes de cânhamo”. O Cannareporter teve acesso à documentação enviada, mas Barry admite que “talvez tenha ficado perdido na tradução” das novas regras e da nova legislação, publicada no Despacho n.º 10953/2020, de 09 de Novembro do ano passado.

Agricultores queixam-se de bloqueios à cultura do cânhamo em Portugal

Esta não é uma situação inédita em Portugal. Desde 2018 que vários agricultores se queixam de “perseguição” por parte das forças policiais e de “inacção” ou “dualidade de critérios” por parte da DGAV. Fará sentido bloquear ou não incentivar a indústria do cânhamo em Portugal? Quem se responsabiliza pelos custos desnecessários para os agricultores e para os contribuintes com os infindáveis processos em tribunal, que acabarão, provavelmente, arquivados?

O Cannareporter falou com Barry McCullough, com a GNR, com a DGAV, agricultores, advogados e associações do cânhamo industrial em Portugal, para tentar perceber os contornos deste e de outros casos já conhecidos de apreensões de cânhamo em Portugal. Esta informação será publicada em breve, em exclusivo, na Newsletter do Cannareporter no Patreon, e na edição em papel da Cannadouro Magazine (nas bancas a 21 de setembro).

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