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Entrevistas

Pure Healing: “Este negócio nasceu de pessoas a pensar em pessoas”

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Sérgio Neto, Ricardo Morais e Marina Penim fundaram a Pure Healing em 2018. Foto: Laura Ramos | Cannareporter

A história da Pure Healing começou com a avó de Sérgio, a mãe de Marina e o pai de Ricardo, que sofriam de patologias que poderiam beneficiar do tratamento com canábis. Lançaram mãos à obra e as sementes à terra, aprendendo do zero a cultivar a planta, quando ainda era ilegal. Depois de constatarem as melhorias na qualidade de vida dos seus familiares, Sérgio Neto, Ricardo Morais e Marina Penim quiseram partilhar o seu conhecimento com outros pacientes.

Ricardo Morais e Sérgio Neto na plantação da Pure Healing, em Alcácer do Sal. Foto: Laura Ramos | Cannareporter

Sob o lema “we grow because we care” (plantamos porque nos importamos), que se tornou a sua imagem de marca, juntamente com o pequeno coração dentro da folha de canábis, a Pure Healing é actualmente uma das poucas empresas 100% portuguesas com licença do Infarmed para a produção, cultivo e exportação de canábis para fins medicinais. Já criou 13 postos de trabalho e tem perspectivas de crescimento para a sua plantação de 5 mil metros quadrados, perto de Alcácer do Sal, onde atingiu níveis recorde de THC em duas plantas auto-florescentes — Auto Cinderella Jack (28%) e Auto Skywalker Haze (29%). Visitámos a plantação da Pure Healing e falámos com os três fundadores da empresa, para conhecer um pouco mais da sua história e como chegaram até aqui.

Existe um mito de que só as multinacionais é que conseguem investir na canábis medicinal em Portugal… mas estamos aqui com três portugueses, que constituíram uma empresa 100% portuguesa, conseguiram a licença do Infarmed e já estão a produzir. Como é que foi este processo?
Sérgio – Foi muito giro, na verdade. Olhando aos primórdios da criação da nossa empresa e ao aqui e agora, o Ricardo tem uma expressão muito engraçada, que costuma utilizar com bastante frequência… como é que é?
Ricardo – É mudar um bocadinho as perspectivas de negócio, basicamente de um oriental para um europeu e para um norte-americano. Enquanto que um oriental olha numa perspectiva de “Como é que eu vou produzir este produto?”, a primeira questão que o americano coloca é “Como é que o vou vender?”, enquanto que o europeu pensa “Como é que o vou regulamentar?”. E foi isso que sentimos, praticamente. Tem sido muito divertido, obviamente. Todos nós, da equipa que constitui a Pure Healing, tínhamos uma vida passada e ela não tinha nada a ver com agricultura, com canábis, com óleos, com nada disso, e tivemos que fazer aqui o nosso “salto de fé”. Rezar, bater no peito, contar até dez. É aquilo em que nós acreditamos, é a nossa missão e a nossa visão… vamos embora! Nunca ninguém tinha construído manuais de procedimentos, manuais de qualidade, e foi muito divertido por causa disso mesmo, por criar uma coisa que não existia, fazer nascer e andar um bebé que não existia. E chegados aqui, à data de hoje, com o ADN que nós temos, a família que conseguimos criar, acho que só temos razões para pôr as mãozinhas ao céu e agradecer todos os dias da nossa vida. Não é fácil, mas podia ser pior e, felizmente, à data de hoje, nunca tivemos um dia em que houvesse uma notícia que nos cortasse as pernas. O nosso trabalho é muito nesse sentido também, temos consciência que se fizermos o melhor de nós hoje, o amanhã vai ser muito mais sorridente. E é por aí que seguimos. 

A boa disposição é uma constante na equipa da Pure Healing, que se considera uma verdadeira família. Foto durante a entrevista, na plantação, em Alcácer do Sal: Laura Ramos | Cannareporter

Como é que tudo isto começou? Como é que se lembraram de se dedicar à canábis?
Sérgio – Foi por questões tristes, infelizmente. Doenças de familiares nossos. Qualquer um de nós, no seio da nossa família – ou o pai do Ricardo ou a mãe da Marina ou a minha avó – tinham patologias que não tinham uma cura propriamente dita, não tinham um tratamento ou um diagnóstico que fosse claro e conciso. Então começámos a investigar, cada um à sua maneira, por motivos diferentes, e demos connosco a ver crianças a serem tratadas nos Estados Unidos e no Canadá com extractos e produtos à base de canábis, e arriscámos, começámos a mandar vir óleos. No caso concreto da minha avó, que tinha leucemia, isso tirou-a da cama. Ela era um vegetal com 40kg, que não se alimentava e que não vivia. Estava mesmo à beira da morte e foi toda uma vida nova. A introdução do CBD tirou-a da cama, deu-lhe vontade de viver; a introdução do THC deu-lhe mais oxigenação no sangue, tirou-lhe o cansaço, deu-lhe apetite, deu-lhe ânimo e ela voltou à sua vida normal. Voltou às aulas de ginástica, de hidroginástica, andava muito zangada com os velhotes que não a deixavam ir às aulas de canto, porque não sabia cantar, mas ela sabia as letras, e estes eram os dramas da minha avó na fase final da sua vida. E foi muito por isto que tudo começou. Quando chegou 2018 e se regulamentou a questão da canábis, abordámos o Infarmed e dissemos, muito claramente: “Já fazemos isto para a nossa família, agora queremos ser uma empresa.” O Infarmed enviou-nos um email com todos os requisitos a cumprir na altura, isto ainda em meados de 2018, e partimos daí. Durante muito tempo, andámos a conciliar a nossa vida passada com a nossa vida actual, mas chegou ali a Fevereiro/Março de 2019 e já não dava para gerir duas vidas profissionais, mais a vida pessoal, mais as crianças, não dava… e aí, sim, deixámos totalmente o fato e a gravata e agarrámos os ténis e a t-shirt… e cá estão eles! (risos)

Foi difícil esse processo com o Infarmed?
Marina – Demorado, principalmente, e muito criterioso.
Ricardo – Eu posso dizer que, numa fase inicial, sim, porque, como o Sérgio disse, nós começámos as nossas diligências logo a seguir à aprovação do Decreto-Lei, isto em Maio de 2018, e o Decreto Regulamentar, que foi depois o que veio efectivar os requisitos para todas as entidades que queiram entrar neste sector de actividade, só saiu depois em Janeiro de 2019. Chegados a Janeiro de 2019, já tínhamos uma série de diligências tomadas, que depois tiveram que sofrer alterações. A maior dificuldade foi nós termos uma lista de requisitos que estava com base num Decreto-Lei já antigo, que sabíamos que podia sofrer alterações, mas não sabíamos concretamente o que é que ia acontecer. Essa questão foi depois ultrapassada, quando saiu o Decreto Regulamentar em Janeiro de 2019, e, para nossa surpresa, a lista de requisitos vinha um bocadinho mais extensa do que a anterior. Adaptámo-nos, reajustámo-nos e fomos atrás daquilo que nos estava a faltar. E foi o que andámos a fazer, basicamente, durante o ano de 2019 até Novembro, que foi quando conseguimos a carta de aptidão por parte do Infarmed. Tudo isto demorou cerca de três anos.

Foto: Sérgio Neto

Esta é a vossa primeira colheita?
Ricardo – Para fins comerciais, sim. Já fizemos outras plantações aqui, tanto a nível de outdoor como a nível da nossa estufa, mas foi produção para testes, para nós também podermos…
Marina – …formar a equipa, aprender com cada planta, assimilar processos, afinar, aqui em termos das infraestruturas, determinar algumas necessidades, validar equipamentos e tudo o mais e, portanto, esse investimento nesse cultivo foi exactamente com esse fim.
Sérgio – Isto porque também não é fácil encontrar pessoal qualificado em canábis. Não há licenciaturas, não existem cursos técnico-profissionais, existem as formações online, algumas de qualidade relativamente duvidosa e, ao fim e ao cabo, temos que montar uma equipa. E, portanto, no meio dessa base, era importante criar rotinas, criar workflow, criar procedimentos, e que toda a gente que está a trabalhar connosco e que faz parte do ciclo de A a Z pudesse ter contacto com tudo. Isto é uma semente, é assim que se germina, é assim que se enraíza, isto é a vegetação, é a pré-floração, é a floração, isto é uma pulga, isto é uma aranha, isto é uma abelha, isto é uma joaninha, enfim, tudo aquilo que envolve o ciclo de vida das plantas, era importante que toda a equipa tivesse na ponta da língua.
Marina – E que soubesse identificar pragas, que soubesse identificar animais que são benéficos para planta e tudo o mais e, portanto, cada dia foi uma aprendizagem muito importante para o sucesso que se espera alcançar no dia de hoje.

Qual é a vossa formação de base?
Marina – Eu venho da área financeira, portanto aqui para a empresa também tenho todo o aporte nessa área de organização, gestão e parte financeira.
Ricardo – A nível académico, tenho curso de Direcção e Gestão Hoteleira. É um curso com uma base muito forte em Gestão, mas depois tem ali mais algumas particularidades na vertente da Hotelaria. Curiosamente, fiz essa licenciatura e passei os últimos nove anos da minha vida, antes de iniciar este projecto, a trabalhar na banca de retalho, como gestor de clientes, portanto, com esta experiência profissional também acabei por desenvolver e ganhar competências e conhecimentos muito na área financeira, na área de banca, o que também me permitiu ganhar algum background importante para este projecto.
Sérgio – Eu venho da Gestão Informática e passei os meus últimos anos na área comercial de uma multinacional. Demos o “salto de fé” e largámos a capa da vida passada, todos, agora para esta vida nova.

E aprenderam de raiz a plantar canábis? Como é que foi, estudaram?
Sérgio – Do zero! Nós acreditamos que para saber mandar é preciso saber fazer e, portanto, não fazia sentido montar uma empresa e não saber fazer a coisa. E foi mesmo por aí que começámos: a explorar, a investigar, uma semente, duas sementes, uma terra, outro substrato, um adubo, um fertilizante, um orgânico, um químico, e chegámos à nossa fórmula, que, infelizmente, era feita de forma ilegal, devido às contrariedades da legislação portuguesa. E se aprendemos a fazê-la de forma orgânica e com qualidade para a nossa família, é o mínimo que nós queremos para as outras pessoas, porque, ao fim e ao cabo, estamos a produzir um medicamento que alguém irá consumir. E que seja uma continuidade do coração que nós temos todos os dias no nosso peito. Se aprendemos a fazê-lo assim, é assim que queremos levá-lo para o mercado. 

Foto: Sérgio Neto

Ganharam, então, essa experiência por força das circunstâncias, quando os vossos familiares estiveram doentes…
Sérgio – Verdade! Ou era isso e éramos criminosos, ou então íamos comprar não-sabemos-o-quê, não-sabemos-onde, ao bairro, e trazíamos um saquinho de orégãos como se fosse um saquinho de canábis, trazíamos relva seca a pensar que era canábis com CBD e isso não, de todo.
Ricardo – Aliás, o nosso problema – e é assim que nós chegamos ao cultivo – começa precisamente por aqui. No meu caso, concretamente, eu estive sete meses a viver nos Estados Unidos, em 2009, e foi a primeira vez que ouvi falar de canábis para fins medicinais. Na altura, acho que só um ou dois estados é que já tinham a canábis medicinal legalizada. Isto hoje já ganhou muito mais tracção, mas na altura era uma coisa que se estava a iniciar, e já havia provas que, efectivamente, a canábis podia trazer benefícios para tratar algumas doenças. O meu pai e a minha mãe tinham doenças que entravam nesse portfólio e, quando regressei a Portugal, a minha principal dificuldade foi “Onde é que eu vou arranjar um produto de confiança, que me dê garantias a nível de consumo?” E a forma que encontrei foi: “Bem, vou plantar a planta, vou tentar aprender, perceber, e pelo menos aí consigo ter garantias de que sei qual é a origem daquilo que eles estão a tomar.” O Sérgio também foi confrontado com esta dificuldade e daí termos começado, por necessidade, a cultivar, a conhecer, a plantar e pronto, já lá vão alguns anos. Depois, como é óbvio, fruto deste estudo e desta exploração, acabámos os dois por ganhar aqui um carinho e uma grande paixão à planta e a toda a sua potencialidade, tanto que, em tom de brincadeira, muitas vezes dizíamos: “Um dia que legalizem isto em Portugal, vamos virar agricultores.” A partir de 2018, com a legalização do mercado, isso permitiu-nos concretizar esse sonho e chegar até aqui. 

Foi a vossa oportunidade, então…
Sérgio – Tivemos de criá-la. Ela não estava escancarada para nós saltarmos, por isso dizemos o “salto de fé”. Tivemos momentos piores, momentos melhores, verdadeiramente não tivemos aquele momento mau e desgraçado de “Ai minha Nossa Senhora, o que é que vai ser de nós agora?”, felizmente, e esperemos que nunca aconteça. Esperar o pior e trabalhar para o melhor, é outro lema da nossa vida.

Qual foi o investimento que fizeram?
Marina – O investimento em termos humanos é total, 100% ou 1000%. A nossa entrega é diária e muito profunda. O investimento monetário, pois, é significativo face às estruturas que temos e são valores consideráveis.

Não podem revelar qual foi o investimento numa empresa desta estrutura?
Sérgio – O número em concreto preferimos não dizer, mas está acima de um milhão de euros. Isso podemos dizer, sem segredos. 

A Pure Healing bateu o recorde de 29% de THC na Auto Skywalker Haze. Foto: Dutch Passion

E como é que conseguiram esse milhão de euros? Eram fundos vossos ou fizeram concursos a financiamentos?
Ricardo – Nós recorremos um bocadinho a várias ferramentas. A nossa ideia não era só arranjar um investimento, mas precisávamos também de constituir uma equipa de trabalho, porque o dinheiro, por si só, não faz nada. Recorremos a fundos que se podem dizer comunitários, com pouca adesão, porque grande parte dos incentivos que existem a este nível acabavam sempre por esbater na temática “canábis”. Ou seja, há muitos apoios de incentivos à agricultura, mas é canábis, portanto já não se aplicava na canábis. Também não se aplica na indústria farmacêutica, porque não deixa de ser uma actividade associada ao sector agrícola e, até mesmo a nível legal, estas linhas de crédito não estavam preparadas para abraçar este sector. À data de hoje, as coisas já estão um bocadinho diferentes, já começa a haver um bocadinho mais de abertura, tanto que nós, entretanto, conseguimos, junto de um parceiro, a abertura para também nos financiar.
Marina – Uma instituição bancária que realmente abriu portas e nos deu a mão para conseguirmos progredir. Temos até ao dia de hoje, realmente, esse apoio, independentemente de haver também algum financiamento particular.
Sérgio – Nós temos uma condicionante: somos cultivo de canábis. Se nós tivéssemos um braço estendido para a parte da extracção, da purificação, aí entravam outras componentes: tecnológicas, de investigação e de desenvolvimento, que alavancavam o ir buscar outros capitais comunitários. Como não o temos, isso invalidava também, de certa forma, a nossa actividade para essas candidaturas.
Ricardo – Para nós, também acabou por dificultar aqui um bocadinho mais a questão, porque não é mentira nenhuma que nós gostávamos, independentemente do investidor que viéssemos a angariar, de manter a nossa essência, a filosofia e a estratégia com que o projecto inicialmente foi desenhado… e poder aportar a bandeira de Portugal neste projecto a 100% também era algo que nos deixava orgulhosos.
Sérgio – E que as histórias que estão neste coração não se percam; é isso que nós queremos para um futuro, mesmo, mesmo, mesmo. Acima de qualquer coisa, é muito isto.

No fundo, a vossa história é muito íntima, começa por um drama da vossa própria família. A maior parte das empresas não começa assim.
Marina – Até porque, muitas vezes, a visão é mais comercial do que aqui, que tem esse carisma do sentimento e, portanto, toda a nossa maneira de estar na empresa é transversal a esse sentimento, desde a ligação que nós temos à planta, ao negócio e à equipa com a qual trabalhamos, a nossa maneira de estar é exactamente com esse sentimento, não meramente comercial.

Têm outros valores que consideram mais importantes do que o lucro, digamos assim?
Marina – Precisamente.
Ricardo – Precisamente, e isso é visível nesta plantação.
Sérgio – E na família que está lá dentro, acho que sim.

Quantos postos de trabalho já criaram até agora?
Ricardo – Neste momento, equipa fixa, para além de nós os três, são mais seis pessoas, além da equipa de vigilantes de quatro pessoas. Portanto, já temos aqui treze postos de trabalho.

E quantos pensam vir a criar num futuro próximo? Estão a pensar crescer?Ricardo – Estamos a pensar crescer. O número de pessoas a crescer também vai estar directamente ligado à área de expansão que iremos fazer, mas sim, temos ideias de expandir e vamos precisar de mais pessoas para isso. 

Qual é a área de cultivo que têm agora?
Sérgio – São cinco mil metros quadrados.

E se vierem a expandir, será para quanto?
Ricardo – Não consigo dizer o valor até ao qual podemos expandir, mas podemos dizer que, à data de hoje, com a experiência e o know-how que adquirimos ao montar este projecto, a nossa expansão passará sempre por um hectare de cada vez.
Sérgio – E depende, não é fixo… e porquê? Nós queremos fazer um ano bem-sucedido e, obviamente, este ano, como só começámos em Agosto, não será o potencial máximo das nossas capacidades e da produção que este terreno nos pode dar. Queremos fazer um ano bem-sucedido, que será o próximo ano, 2022. Aí sim, será uma colheita de Abril/Maio até esta altura (Setembro/Outubro) e depois aí ver o que é que o destino nos mostra. 

Quando é que começaram esta colheita, não foi em Abril?
Sérgio – Em Agosto.  (risos)

Plantaram só em Agosto?
Sérgio – Antes do documento do Infarmed não podíamos! Já tínhamos o ok de boca, tínhamos o ok por email, mas até vir o documento não podíamos fazer nada. Veio o documento no início de Agosto e foi germinar, germinar, germinar e pô-las na rua. 

E em três meses elas chegaram a este ponto?
Sérgio – Dois meses e meio. Temos a nossa fórmula, temos a nossa magia. Sabemos que fazemos as coisas de maneira relativamente diferente e isso vê-se pelo cheiro que as plantas têm, pelo aspecto e pela cor e não vamos abdicar disso. Queremos fazer um ano muito bem-sucedido para eu poder cortar o cabelo (risos) e para podermos pensar na expansão.

Porquê “para poderes cortar o cabelo”?
Sérgio – Ah, é uma promessa, eu sou muito de promessas… é o cabelo, é a barba, as tatuagens… coisas minhas!

Sérgio Neto tatuou as moléculas do THC e do CBD no braço esquerdo. Foto: Laura Ramos | Cannareporter

Prometeste que ias cortar o cabelo quando?
Sérgio – Quando tivéssemos uma colheita bem-sucedida, ou seja, criámos a empresa em Janeiro de 2019 e foi nessa semana que eu cortei o cabelo a última vez. Disse cá para mim que havia de o cortar quando tivéssemos a primeira colheita bem sucedida ou quando eu fizesse 40 anos. Vamos ter uma colheita, eu também vou fazer 40 anos, mas não é a melhor colheita, porque estamos com plantas assim e queremos ter árvores. Quando tivermos as árvores, calha no ano dos 40 anos e posso dizer que corto o cabelo e faço outra tatuagem.

Mas achas que esta colheita não vai ser bem-sucedida?
Vai, mas não é o potencial máximo do nosso trabalho. Um bocadinho ao exemplo daquilo que nós estamos a viver agora, acho que termos criado a empresa, termos conseguido levar isto aos moldes onde estamos e com as perspectivas de futuro que temos, sempre achei que seria o potencial máximo das nossas capacidades individuais. Por muito bom gestor que eu fosse, nunca tinha criado uma coisa própria, por muito boa financeira e contabilista que a Marina fosse, nunca esteve assim como está, o Ricardo também, e todos nós tínhamos a nossa vida passada. Em equipa e em família é a primeira vez que estamos todos juntos e, portanto, estamos a aprender, estamos a acostumar-nos. Esta é a primeira e não pode ser a melhor; a melhor é sempre a seguinte. (risos)

Qual vai ser o destino desta colheita?
Sérgio – É o que o futuro nos disser. Nós temos tudo em aberto. Temos potenciais clientes da indústria transformadora, da indústria farmacêutica, da indústria alimentar… é o que o destino quiser e o negócio que nós conseguirmos fazer. 

Mas não é uma condição do Infarmed terem já um comprador para a vossa produção?
Sérgio – Cartas de intenção, sim, mas com a abertura do mercado e, não vou dizer diariamente, mas mensalmente, novos players a existirem, o mercado está a crescer e faz falta a matéria-prima. É uma vantagem para nós, salvo seja, haver várias opções de venda; pelo menos temos uma pool de potenciais clientes a quem podemos recorrer e apregoar “o nosso material está pronto, vale isto e estas são as condições técnicas que as plantas têm: análise de canabinóides, metais, terpenos e potência.”

Quais são as variedades que têm aqui, podem dizer?
Sérgio – Podemos dizer, porque já estão baptizadas. Nós estamos aqui no meio do sector das Pure Destiny, no sector 2 temos as Pure Princess, no sector 1 a Pure Happiness e no sector 4, de CBD, as Pure Queen. As Pure Queen são CBD; Princess, Destiny e Happiness, são THC. No meio destes quatro sectores conseguimos ter perto de dez canabinóides diferentes, perto de vinte terpenos e conseguimos ter potências variadas. De lá para cá, aponta-nos para 14% de CBD, 28% de THC, 21% de THC e 20% no primeiro sector, todos eles com um espectro diferente de canabinóides e de terpenos. 

Vocês deram-lhes nomes com Pure, porque vem de Pure Healing, suponho. Esses nomes querem dizer que estas genéticas foram desenvolvidas por vocês?
Sérgio – Não foram desenvolvidas por nós, mas foram criadas por nós, podemos dizer isso, sim. Elas não têm os resultados que seriam de esperar do banco de sementes. Aqui, felizmente, estamos a conseguir resultados superiores. 

Os insectos são uma presença constante na plantação de canábis da Pure Healing, que é totalmente biológica. Foto: Sérgio Neto

E isso tem a ver com o quê?
Sérgio – Com as nossas mãos e com o nosso sal. (risos)
Ricardo – Exactamente, com os nossos processos, com os nossos procedimentos, com os materiais que impregnamos na produção, com a nossa geolocalização, o microclima que se faz sentir aqui, toda esta biodiversidade acaba também por contribuir para a diferenciação.


Já reparei que aqui há muitas abelhinhas…
Ricardo – E ainda bem!
Sérgio – Nós temos muitos predadores naturais e isso deixa-nos muito felizes. Temos uns louva-a-deus que são literalmente os pitbulls aqui do place, devoram tudo. (risos) As abelhas, igual, as joaninhas, igual… Temos inclusivamente um manual de pragas e predadores da canábis, que estamos a construir aqui, baseado na nossa experiência. 

Vão ter, então, uma espécie de guia Pure Healing para cultivo…
Sérgio – Vamos, vamos. Gostávamos de ter ebooks, manuais… Sim, estamos a pensar nisso tudo.

É um vosso objectivo contribuir para a formação de pessoas?
Sérgio – Sim, sem dúvida.

A que nível?
Sérgio – Todo, porque temos essa dificuldade. Para dar um exemplo, estamos em contacto quase diário com o Instituto do Emprego e da Formação Profissional aqui de Alcácer do Sal, que nos tem ajudado imenso. Existe uma Escola Profissional em Grândola que não nos liga nenhuma. (risos) E nós precisamos de pessoal qualificado, precisamos de pessoal formado. Se não há, vamos nós tratar disso.

Tiveram abertura por parte da Câmara Municipal de Alcácer para este investimento?
Sérgio – Foi a primeira autorização que recebemos, ainda em finais de 2018.
Ricardo – Até porque era também um dos requisitos, por parte do Infarmed, haver autorização por parte da Câmara relativamente à actividade em questão. Reunimos com a Câmara (foi logo das primeiras coisas a fazer) e, por acaso, desde o primeiro momento, sentimos que nos receberam bem. Estávamos à espera de haver aqui algum conservadorismo, por ser canábis, e isso criar aqui algum obstáculo (e sabemos que outros sentiram isso noutros concelhos), mas aqui em Alcácer a questão “canábis” não foi problemática e fomos bem recebidos.
Sérgio – O Sr. Vereador passa aqui volta e meia, as autoridades, igual, a GNR, a PSP, vêm proactivamente, perguntam se precisamos de ajuda, disponibilizam os contactos… Super bem recebidos, não temos nada a apontar.
Marina – O mesmo com a Junta de Freguesia, o mesmo com a população, a comunidade também é próxima de nós e, portanto, nesse quadrante sentimo-nos também felizes, porque há bastante empatia por parte de todas as outras pessoas.
Sérgio – Fizeram-nos um bolo, ali na Associação de Moradores. Foi muito giro. Um bolo, como se fosse um bolo de aniversário, com velinhas Pure Healing, convidaram-nos para almoçar e no final do almoço, o bolinho! Foi muito giro.
Ricardo – De salientar que, quando viemos para aqui, foi uma das acções que também achámos por bem fazer: sensibilizar, pelo menos aqui a comunidade mais próxima, de quem nós éramos, o que é que íamos fazer, quais é que eram as nossas intenções ao virmos para cá, para perceberem que, efectivamente, estávamos aqui de bem, para fazer bem e by law. Fizemos uma apresentação na Associação de Moradores, distribuímos flyers porta a porta, andámos, literalmente, pelo meio da aldeia a falar às pessoas para esclarecer dúvidas, um bocadinho para também começar aqui a desmistificar a questão da canábis e, à data de hoje, estas senhoras daqui, com 60 e 70 e muitos anos, com uma mentalidade muito mais conservadora, algumas delas já estão a tomar óleo de CBD, recomendado por nós, todas satisfeitas porque, efectivamente, o óleo está a fazer o seu efeito.
Sérgio – Às sextas-feiras, à hora de almoço, fazemos o tour aqui pela aldeia, vamos ao café, falamos com a D. Joaquina, com a D. Alzira, e é o nosso papel. A pedagogia também faz parte da nossa missão.

Ao chegar aqui, notei que isto é uma aldeia muito pequenina, vocês sentiram-se bastante acolhidos então pela população…
Ao princípio, um bocadinho de resistência, pelo facto de não nos conhecerem, porque não somos “filhos da terra”… “Vêm de fora, será que vêm a bem, será que vêm a mal, vêm para fazer as coisas certinhas e para contribuir de uma forma favorável para a comunidade ou não?” Havia muito este receio. Eu acho que, assim que as pessoas perceberam o que é que estávamos aqui a fazer e o que é que pretendíamos, a coisa começou a desmistificar. E, também, quando arrancámos com a equipa de segurança… curiosamente, essa equipa, na sua maioria, é formada por locais, os chamados filhos da terra, portanto acabou por haver aqui um espalhar da mensagem que também foi muito favorável para nós.
Marina – E hoje sentimo-nos acolhidos com carinho por parte de todos. A ligação com todos os moradores aqui é bastante simpática, são pessoas que passeiam aqui à volta das instalações e têm sempre uma palavra de deferência connosco. É bastante agradável, realmente, a relação que nós estabelecemos com os locais. 

Ou seja, aqui está uma empresa 100% portuguesa… Que conselhos é que dariam a eventuais futuros investidores portugueses que quisessem começar uma empresa deste género?
Marina – Muita força e resiliência, muita determinação, porque, independentemente de nada ser impossível, é preciso ser perseverante nas conquistas que se vão tentando alcançar, porque este processo é bastante trabalhoso.
Ricardo – E eu acho que o grande segredo, e não é por ser este sector de actividade, porque está inerente a qualquer empreendedor: obrigatoriamente temos que estar preparados para sair da zona de conforto e perceber que não é possível evoluirmos ou crescermos em determinada matéria ou sector de atividade enquanto não fizermos isso. Nós os três somos a viva prova disso, porque os nossos backgrounds nada têm a ver com esta área e tivemos que aprender de farmácia, de agricultura… Como o Sérgio diz muitas vezes, tivemos de fazer de arquitectos, de engenheiros, de assistentes técnicos, o que é difícil, mas depois também se torna muito gratificante, porque quando a gente percebe que “se atirou para fora de pé, saiu da zona de conforto, mas conseguiu vencer os medos e ultrapassá-los”, depois, quando o trabalho aparece feito, dá uma satisfação interior muito grande.
Marina – Enche o peito. E também é um pontapé de saída para novos desafios.

Quais foram os principais medos que tiveram?
Marina – Tivemos algum? Acho que não. (risos) Medos, medos, assim levados à séria, não! Encarámos sempre tudo como um desafio e sentimo-nos sempre capazes, unidos entre nós, de vencer esses desafios e, portanto, foi sempre muito aliciante tudo aquilo com que nos deparámos, porque, se havia alguma contrariedade, olhávamos uns para os outros e a nossa proximidade e a nossa raiz é tão próxima que sentíamos em cada um de nós a força para vencer aquele obstáculo. Nunca achámos assim uma dificuldade que não se conseguisse transpor.
Sérgio – E escolhemos estar aqui, portanto, o caminho faz-se caminhando e importa é ir. O resto é receber.

 E os maiores desafios, quais foram?
Ricardo – Eu por aí já tenho uma dificuldade. Já nos têm feito essa pergunta algumas vezes e isto também se prende aqui um bocadinho com a nossa filosofia, porque eu acho que nós os três, uns mais que outros, mas cada um à sua maneira, somos pessoas muito positivas e, como dizemos muitas vezes, tentamos ver nas coisas, não dificuldades, mas desafios. São oportunidades para melhorarmos, para aprender alguma coisa que não sabíamos, aprofundar algum conhecimento que já tínhamos, mas há sempre mais qualquer coisa que se pode saber e eu acho que isso acaba por ditar aqui o rumo das coisas. Dificuldades vão sempre surgindo, umas maiores, outras mais pequenas, elas nunca param de vir. A maneira como nós olhamos para isso e como as encaramos é que vai ditar o sucesso, ou não, com que as vamos ultrapassar. Por isso é que costumamos dizer que aqui na Pure Healing não há dificuldades, há desafios constantes.
Sérgio – Se tivéssemos que escolher um, se calhar a carta de intenção que apresentámos ao Infarmed, porque, felizmente, da vida passada nós trazíamos uma rede grande em vários sectores e então batemos muitas reuniões na indústria farmacêutica e era esquisito (e, em alguns momentos, se calhar, desesperante) nós apresentarmo-nos numa indústria farmacêutica: “Ok, nós vamos produzir canábis para empresas como a vossa” e dizerem-nos “Altamente, e então o que é que eu faço com canábis?” Dava-nos aquela sensação de que entras num talho “Eu quero hamburgers” – “Ah, hamburgers não tenho” – “Então, mas não vendem carne?” – “Sim, mas hamburgers não” – “Então e espetadas?” – “Espetadas também não”… Exactamente a mesma coisa. Empresas preparadas com maquinaria, com pessoal, com conhecimento, com tudo, e não sabiam o que haviam de fazer à canábis. Chegavam a perguntar: – “Mas o que é que eu faço com isto? Meto numa cápsula? Faço um chupa-chupa? O que é se faz com canábis?” E pareceu-nos muito caricato, na altura, aquele desafio de conseguir explicar às pessoas o que é a canábis e como é que nós pedimos uma carta de intenção para uma coisa que vamos vender e ainda nem sequer instalações temos. É muito esquisito pedir a alguém que nos passe uma carta de intenção de comprar uma coisa que nós não temos. Parece aquela história mítica do treino comercial… de ir vender um frigorífico no Pólo Norte ou ir vender uma caneta ao presidente da Bic. Foi muito isso… como é que nós vendemos canábis quando não temos e a quem não sabe o que há-de fazer com ela? Tanto que, na altura, o que nós dizíamos era que isto era quase uma venda impossível, não é? Porque é vender um produto que não existe e cuja empresa também não existe. Apresentarmo-nos a uma pool de clientes e dizer “Olhe, eu produzo isto” – “Ok, e onde é que está o produto?” – “Isso ainda não temos” – “Mas está a ser produzido? Está a ser embalado?” – “Não, a infra-estrutura, também ainda não existe; está para ser construída” “Então, mas o que é que vocês vão vender?” “Então, nós vamos vender isto, precisamos disto” – “Então, mas eu vou passar-vos uma carta a dizer que vamos comprar uma coisa… mas eu não vou comprar coisas que não existem!” “Pois, claro, eu também não comprava”. (risos) Foi engraçado, tivemos algumas reuniões, vá, no mínimo, caricatas. 

E qual é o vosso objectivo para o futuro?
Ricardo – Eu se calhar vou fazer a introdução ao contrário: ao fim e ao cabo, a maneira como nascemos é a nossa motivação. Como o Sérgio disse aqui – e a motivação dos três nisto sempre foi muito idêntica – a nossa ideia de fazer isto partiu muito disto: fazemos isto para os nossos familiares, resulta e é bom. Queremos fazer chegar isto a mais pessoas e a quem realmente precisa. Diria que o nosso grande objectivo, num futuro próximo, é virmos a desenvolver o nosso produto, a nossa fórmula, de maneira a conseguirmos colocar produto na prateleira, em mercado nacional e a um preço que o português possa pagar, que é coisa que neste momento não acontece, porque todos sabemos que o preço a que estão a chegar os óleos ao mercado não é comportável para a grande maioria, com os vencimentos que são praticados em Portugal. O nosso objectivo máximo é conseguir desenvolver a nossa fórmula, o nosso produto diferenciado e colocá-lo no mercado a um preço justo.
Sérgio – A ajudar, parece que não existem muitas empresas com essa intenção e, uma vez mais, nós somos nascidos e criados aqui e é aqui que queremos ficar, é aqui que queremos ajudar. Nascemos para isto. Não há outra maneira de dizer.
Ricardo – Como nós dizemos, este negócio nasceu de pessoas a pensar em pessoas... Então só tem que ser de pessoas para pessoas, a pensar em pessoas.
Sérgio – E que estas histórias não se percam.
Marina – Exactamente.

Também faz parte das vossas intenções pedir Autorizações de Colocação no Mercado (ACM) ou vão só fornecer as vossas flores?
Sérgio – Faz parte das nossas intenções. Não sabemos quando, não temos, propriamente dito, um espaço temporal ou um timeline a dizer que é em 2022… Para nós já era ontem, na verdade, e já estamos a correr contra o tempo… Por isso, assim que se der a oportunidade, queremos pedir ACM, sem dúvida. Nascemos a desenvolver ACMs na cozinha lá de casa, para os nossos familiares e, portanto, queremos profissionalizar a coisa. Passos pequeninos e sólidos, uma coisa de cada vez. Para já, as flores. Depois, uma colheita bem-sucedida durante um ano completo. E veremos o que é que o destino nos traz.

Em 2021 bateram o recorde dos níveis de THC em duas plantas auto-florescentes, a Auto Cinderela Jack, com 28%, e a Auto Skywalker Haze, com 29%. Como foi para vocês atingir estes níveis e receber esta distinção no mercado?
Sérgio – É sempre muito bom ver o nosso trabalho reconhecido, sabendo das dificuldades que a maioria das empresas passa nos dias de hoje, e tendo nós uma equipa pequena e ainda em formação. É um orgulho imenso e uma responsabilidade enorme. Desde o primeiro dia que nos quisemos afirmar como a referência do cultivo de canábis em Portugal, por isso estas distinções colocam-nos no rumo certo. Treino a treino, jogo a jogo, um dia de cada vez.

Existe muita discussão acerca das concentrações elevadas de THC, com partidos políticos ou médicos a alertar para os seus perigos. Como é que vêem esta questão?
Desde que há memória e registos de vida da nossa Humanidade que a canábis é utilizada para fins curativos ou medicinais. São factos documentados e não há como negar. Infelizmente, na nossa actualidade global, existem mais interesses associados do que propriamente, e só, os benefícios e as potencialidades da planta propriamente ditos. Chegámos aos tempos em que a ciência nega o que desconhece. Sendo a canábis um tema sensível e de enormes dimensões, o caminho mais fácil será sempre o da negação. Facto é que todos os seres, independentemente da causa, que tiveram contacto ou que consomem canábis com regularidade, vêem a sua vida melhorada em inúmeros aspectos. Dentro do que podemos controlar, os nosso processo produtivo segue os mais elevados padrões de qualidade. Temos sempre em mente que produzimos medicamentos em forma de planta e que mais tarde servirá para o consumo humano. Escolhemos sempre os melhores materiais e os melhores parceiros, maioritariamente internacionais.

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