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Opinião

Canábis “Medicinal” VS “Recreativa”: qual a diferença?

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Foto: D.R. | Montagem Cannareporter

Os termos “medicinal” e “recreativo” tendem a ser bastante usados no meio da canábis, mas, para quem é novo neste mundo, entender o que separa os dois nem sempre é fácil. Será mesmo assim tão diferente? E porquê, se a planta é a mesma? Este artigo pretende reflectir sobre crenças, mitos e terminologia canábica. 

Neste artigo, vamos analisar o que na sociedade se entende por “canábis medicinal” e por “canábis recreativa”, incluindo as suas diferenças e semelhanças, de forma a que possa haver um melhor entendimento sobre a planta e os seus diversos usos.

Compreender a terminologia canábica

Para os estreantes no mundo canábico, entrar em contacto com todos os termos usados pode, por vezes, ser complicado e avassalador. Termos como “canábis medicinal” e “canábis recreativa”, por exemplo, são frequentemente usados tanto pelos Media como por profissionais ou pacientes, embora isso não signifique que entender e perceber esses termos seja algo assim tão simples. Compreender e saber usar a terminologia certa e existente no meio canábico é de extrema importância, pois só assim será possível existir informação fidedigna e transmissão de ideias de uma forma coerente, tanto ao nível da planta em si como dos seus variados usos.

A opinião de Ethan Russo

Ethan Russo, Neurologista, Farmacologista e um dos mais conhecidos investigadores mundiais da planta da canábis, já deixou bem claro que hoje não existiria canábis medicinal se não tivesse existido a utilização “recreativa”, tendo mesmo agradecido a um “exército underground” de cultivadores artesãos que, ao longo de décadas de proibição, desenvolveram centenas de variedades na ilegalidade, para que hoje os pacientes possam beneficiar delas.

Ethan Russo na conferência LISBON MEDICAL CANNABIS 2018. Foto: Renato Velasco / PTMC

Russo, que actualmente é o CEO da CreDO Science e director médico da empresa Breeder’s Best, disse a este propósito que o potencial terapêutico da canábis pode ser muito melhorado através do reconhecimento das propriedades únicas que cada um dos seus componentes canabinóides e terpenóides oferece. Para o médico e investigador, o breeding é a única solução para uma série de problemas que assolam a indústria da canábis, principalmente a falta de diversidade em chemovars (variedades) de canábis, que resultam num material que carece de controle de qualidade e que está longe de ser o mais adequado para a sua finalidade.

“Esses devem ser os objectivos de todas as empresas de canábis e podemos ajudar a alcançá-los através dos esforços do que até então tem sido um‘ exército underground’ de artesãos criadores de canábis”, acrescentou Russo, que salientou ainda que “os consumidores de canábis, quer a utilizem para fins medicinais ou recreativos, não merecem menos, e isso só pode ocorrer quando o material que compram é de composição e proveniência conhecidas, com análises de fundo e dados de testes de segurança, como documentação. É nossa missão tornar a canábis mais segura e melhor”, salientou Ethan Russo.

 

Quais são as diferenças entre uso medicinal e recreativo?

Existem vários equívocos em torno das diferenças entre canábis medicinal e “recreativa”, o que, naturalmente, advém do preconceito e do estigma associados ao consumo desta planta milenar. Abaixo, vamos abordar alguns dos “mitos” e demonstrar o que realmente constitui a diferença em alguns dos aspectos mais relevantes sobre a canábis.

Conteúdo de canabinóides

Muitos acreditam que a maior diferença entre “canábis medicinal” e “canábis recreativa” está na relação dos canabinóides presentes ou respectivas quantidades. Isto é muito derivado ao marketing excessivo de produtos ricos em CBD como sendo “medicinais”, mas a verdade é que qualquer uma das variedades de canábis e os mais variados canabinóides podem ser usados com fins terapêuticos, ou mais holísticos, uma vez que muitos dos canabinóides já foram ou estão a ser estudados quanto às suas propriedades e potencial em aplicações clínicas.

Muitas pessoas ainda acreditam que apenas o CBD tem efeitos terapêuticos, o que não podia estar mais errado

Existe também uma crença algo generalizada de que só o CBD é “medicinal” e que o THC serve apenas para efeitos psicotrópicos, o que está completamente errado. O mito de que a “canábis medicinal” tem que ser rica em CBD é totalmente desprovido de fundamento e revela desconhecimento, mais uma vez associado ao preconceito. Na realidade, durante anos, muitos bancos de sementes de canábis e alguns dispensários têm também identificado os seus produtos ricos em CBD como “medicinais” e os de maior conteúdo de THC como “recreativos”. No entanto, novas pesquisas e um maior conhecimento sobre a canábis têm-nos mostrado que THC, CBG, CBC, CBDV, THCV, e muitos outros canabinóides, assim como os terpenos, têm um grande potencial clínico, tanto ou mais que o próprio CBD, dependendo das patologias a que se aplicam. Historicamente, as variedades de “canábis recreativa” têm sido criadas de forma a atingir maiores concentrações de THC. Isto porque, durante muito tempo, acreditava-se que o THC era o único ingrediente activo da canábis que tinha interesse, daí que muitos breeders se tenham apenas focado na criação de variedades ricas neste canabinóide, sem prestar grande atenção a outros canabinóides e/ou terpenos.

Contudo, e graças a novas pesquisas, esta mentalidade tem vido a mudar e as variedades de “canábis recreativa” começam também a apresentar interesse noutros canabinóides e nas suas quantidades, além do mais famoso, THC.

Finalidade de uso

Esta é, sem dúvida, a maior distinção entre os dois termos, a finalidade com que as pessoas usam canábis. A chamada “canábis medicinal”, de uma forma geral, é usada para aliviar sintomas associados a condições e patologias crónicas ou agudas. No entanto, e apesar de hoje em dia existir uma cada vez maior tendência a alargar e aceitar o uso de canábis de forma medicinal, é importante reter que nos locais onde existe um mercado legal para fins medicinais, existe sempre uma definição do que é e como é constituído e definido o uso medicinal da planta.

Em Portugal, o Infarmed aprovou em 2019 o uso medicinal para sete patologias, mas apenas um medicamento (Sativex) e flores com 18% de THC estão disponíveis na farmácia

Muitos governos, apenas reconhecem o uso medicinal da canábis para uma lista pequena de enfermidades que podem ser tratadas com canábis. Em Portugal por exemplo, a utilização de preparações e substâncias à base da planta da canábis para fins medicinais está aprovada para sete indicações, nos casos em que se determine que os tratamentos convencionais não produziram os efeitos esperados, a saber: dor crónica (associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso); espasticidade associada à esclerose múltipla ou a lesões da espinal medula; náuseas e vómitos (resultantes da quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para a hepatite C) e estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA.

Já no caso de países como a Alemanha, Argentina e Chile, existem políticas mais liberais no que toca ao uso da canábis para fins medicinais, contando com listas mais abrangentes de patologias e sintomas a poderem ser tratados com derivados da canábis.

Seja como for, na maioria dos países com um programa de uso medicinal da canábis, requer-se que os pacientes especifiquem a patologia de que sofrem e a que se destina o uso de canábis, sendo a mesma, regra geral, acompanhada de prescrições e/ou receitas médicas.

Por norma, a “canábis recreativa” é entendida como a canábis cujo consumo é feito para diversão ou prazer, ao contrário de aliviar/tratar alguma condição ou sintoma em específico. Em locais onde o consumo adulto de canábis é legal, a “canábis recreativa” é regulamentada e vendida de forma similar ao álcool, tabaco, ou outro tipo de droga legal considerada “recreativa”.

Felizmente, hoje em dia, temos a sorte de viver numa era de rápidas mudanças no que toca à canábis e o estigma tem caído a cada dia que passa, com a quebra de mitos associados à utilização da planta. Muitos profissionais e activistas, hoje em dia, afirmam que todo o consumo é considerado medicinal, seja ele feito de forma consciente e prescrita por médicos especialistas ou simplesmente através do autoconsumo com fins mais recreativos.

O uso recreativo ou o prazer associado ao consumo de substâncias ainda é visto como um “pecado” pelas pessoas mais conservadoras

No fundo, uma pessoa que se sente menos stressada, ou mais relaxada quando consome canábis, não estará já a fazer um uso terapêutico ou medicinal da planta? Se uma pessoa dorme melhor depois de consumir canábis, apesar de não ter sido prescrita pelo médico, tem de ser metida dentro do saco “recreativo”? E a pessoa que utiliza canábis para combater os efeitos adversos da quimioterapia, por exemplo, não se pode rir ou sentir-se melhor se sentir os efeitos psicotrópicos do THC? Existe ainda uma visão muito “católica” associada ao consumo, que condena o prazer que se retira da utilização de uma determinada substância, considerando a sua utilização como “um pecado”.

Acessibilidade

Outra grande diferença entre “recreativo” e medicinal tem a ver com a forma como os produtos estão acessíveis. Aqui é onde a terminologia usada tem um grande impacto na legalidade e, consequentemente, na concentração e quantidade de canabinóides.

De uma forma generalizada, são mais os locais que permitem um uso medicinal da canábis que aqueles que se limitam ao uso adulto. Na Califórnia por exemplo, os pacientes canábicos estão autorizados a ter e a cultivar muito mais plantas de canábis do que os que se destinam ao uso recreativo. Alguns dispensários apresentam balcões e áreas de atendimento, assim como produtos diferentes para utilizadores médicos e recreativos. Existem também Estados que apenas reconhecem a canábis para fins medicinais as variedades que forem ricas em CBD e com baixas quantidades de THC.

No Canadá, Uruguai e EUA os dispensários vendem canábis para quaisquer fins que o cliente pretender obter, com uma grande variedade de escolha, consoante as preferências do utilizador

Fora dos EUA, alguns países traçam claras distinções entre “canábis recreativa” e “canábis medicinal” e regulamentam o acesso a cada uma delas de formas distintas. Na Holanda, a canábis para fins medicinais é vendida através de farmácias a pacientes com prescrições médicas, estando sujeita à Lei do Medicamento Holandesa (Dutch Medicines Act), assim como estritas regulamentações no que diz respeito ao cultivo e comercialização, algo similar ao que se passa actualmente em Portugal. A “canábis recreativa”, por seu lado, pode ser comercializada em pequenas quantidades em coffeeshops ou dispensários, e embora não haja nada que impeça um paciente canábico de comprar os seus produtos numa coffeeshop em vez de uma farmácia, é importante reconhecer que os produtos canábicos vendidos nas coffeeshops/dispensários não são submetidos à mesma regulamentação e processos de produção e controlo de qualidade tão apertados como os que são vendidos nas farmácias.

 

Tal como nos EUA existem mais estados com a canábis regulamentada para fins medicinais do que recreativos, o mesmo acaba por acontecer um pouco por todo o mundo. No entanto, aos poucos as coisas vão mudando, já que mais governos estão a optar por mudar as suas políticas no que toca à canábis.

Pelos sítios sem acesso a dispensários, coffeeshops, associações e clubes canábicos, por norma a obtenção da canábis assenta nas compras de rua e no mercado ilícito, como sempre foi, e isto, claro, traz sempre os seus riscos, desde a falta de controlo dos produtos à qualidade dos mesmos e todos os riscos de contactar com um dealer que vende de tudo um pouco e não só canábis.

Cultivo

Cultivar canábis, é de certa forma, algo bastante simples e linear. As plantas de canábis conseguem ser bastante resistentes e crescer sob uma variedade de condições, mesmo quando essas condições não são as “recomendáveis”. No entanto, cultivadores de canábis a um nível mais profissional, por norma, acabam por usar equipamento mais especializado, fazer um controlo rigoroso das condições de cultivo e utilização de uma variedade de nutrientes e suplementos de forma a assegurar um cultivo com qualidade e quantidade no que toca ao produto final.

O auto-cultivo é uma forma fácil, segura e económica de obter canábis de qualidade para qualquer fim, mas pode ter riscos em alguns países, por ainda não estar regulamentado

De uma forma geral, o cultivo de canábis para fins medicinais está sujeito a muito mais restrições e processos de controlo do que a canábis para fins recreativos. Nos locais onde o cultivo de canábis para fins medicinais é legal, acabam por tratar a canábis como qualquer outro tipo de medicamento, o que significa ser regulamentação e controlos apertados ao nível da qualidade, potência e produção, obedecendo às normas GMP – Good Manufacturing Practices.

Mais uma vez, podemos olhar para alguns exemplos do que existe actualmente, por exemplo no caso da Holanda, onde as normas de cultivo para a indústria médica e recreativa seguem padrões completamente diferentes, nomeadamente o facto de que o que é vendido nas coffeeshops não ser obrigatório passar por processos de controlo de qualidades tão rigorosos como os produtos destinados ao mercado recreativo, visto que não existe propriamente legislação que obrigue a que isso seja feito.

Por outro lado, a “canábis medicinal” é obrigada a cumprir uma serie de regulamentos e padrões estabelecidos pelo governo holandês sobre a alçada do Gabinete Holandês da Canábis Medicinal (Dutch Office of Medicinal Cannabis – OMC). Toda a “canábis medicinal” vendida ao abrigo da legislação holandesa, é obrigatoriamente cultivada segundo directrizes muito específicas e supervisionada pela OMC, tendo ainda que ser submetida regularmente a testes de controlo de qualidade por laboratórios certificados para o efeito.

Alguns sítios onde a canábis é legal, tanto a nível recreativo como medicinal, levam diferentes abordagens em comparação ao modelo holandês descrito anteriormente. Locais como Canadá, EUA e Uruguai estão a dar bastante ênfase à produção de “canábis recreativa” seguir padrões de qualidade e de produção semelhantes aos da canábis medicinal.

O cultivo de canábis para fins medicinais obedece a critérios de qualidade, estabilidade e segurança bastante rigorosos

Afinal de contas, a “canábis recreativa” cresce da mesma forma que a “canábis medicinal”, apesar das leis governamentais ligadas ao cultivo de canábis e os padrões de qualidade e de controlo que devem cumprir variem drasticamente. Enquanto a “canábis medicinal” necessita de seguir padrões de qualidade bastante restritos, a “canábis recreativa”, na grande maioria das vezes, não precisa de ter controlos tão apertados, o que poderá levar a que seja vendida com mais contaminantes, pesticidas ou cultivada usando fertilizantes e/ou métodos de controlo de pragas mais agressivos. Pode também haver menos restrições no que toca ao processamento, embalamento e transporte da “canábis recreativa” face a “canábis medicinal”.

Qualidade

No campo da qualidade, os debates elevam-se no que toca às diferenças entre canábis medicinal e recreativa, e na verdade, existem bastantes variáveis que podem ser tidas em consideração.

Sendo a “canábis medicinal” submetida a apertadas restrições, controlos e regulamentações, algumas pessoas defendem que a canábis de aplicação medicinal terá mais qualidade que a canábis para fins recreativos. Se isso é ou não verdade, é algo bastante discutível.

Em 2006, Arno Hazekamp, um investigador holandês, publicou um estudo analisando as diferenças de qualidade entre a canábis do tipo medicinal, fornecida pelo único fornecedor autorizado de canábis medicinal na Holanda, a Bedrocan, e a canábis do tipo recreativa comprada nas coffeeshops. O estudo concluiu que, em termos de potência e níveis de água, as diferenças entre os dois tipos de canábis eram insignificantes.

No entanto, as amostras de “canábis medicinal” e “canábis recreativa” apresentaram diferenças substanciais no seguinte:

  • Peso seco: muitas das coffeeshops falsificaram o peso das amostras de canábis que enviaram (em alguns casos uma diferença de várias gramas);
  • Contaminantes: A canábis comprada nas coffeeshops apresentou resultados significativamente maiores ao nível de bolores e bactérias, o que poderia ser considerado um risco para a saúde, especialmente quando a canábis é depois aquecida e inalada.

    A indústria farmacêutica enfrenta os desafios de tratar uma planta como um medicamento

O estudo realizado apenas teve em consideração amostras obtidas na Holanda, um país onde a legislação no que toca à canábis “recreativa” é praticamente inexistente. Em países como o Canadá e os EUA começam a ser aplicados alguns padrões de controlo de qualidade mais restritos na canábis dita “recreativa”.

À medida que se aprende mais sobre a canábis, os próprios consumidores começam a ganhar mais interesse no que toca à qualidade dos produtos que consomem. É sabido que a procura por produtos de maior qualidade aumenta rapidamente nos locais onde o consumo adulto de canábis é legalizado, e como resultado a diferença de qualidade entre a canábis medicinal e a canábis recreativa começa a ser cada vez menor nestes locais. Nos locais onde a canábis recreativa continua a ser ilegal e o acesso aos produtos continua a ser feito por intermédio do mercado ilícito, é virtualmente impossível tentar estabelecer qualquer tipo de padrões de qualidade, pois nunca é possível comprovar a veracidade da informação que é passada entre as partes envolvidas.

Variedades

Existem milhares de variedades, ou cultivars, de canábis. Dependendo das intenções de cada banco de sementes ou breeder, as variedades utilizadas com fins medicinais oferecem quantidades de canabinóides e perfis de terpenos únicos, com o intuito de ajudar o melhor possível nas mais diversas patologias.

Muitas vezes, as plantas usadas acabam por ser as que produzem flores bastante mais resinosas, que as tornam mais adequadas para obter extracções para fazer óleos, tinturas e os mais variados concentrados que se podem obter da planta. Tal como nas variedades de “canábis medicinal”, também na “canábis recreativa” se encontram disponíveis as mais diversas variedades. Embora a maioria tenha sido criada com o objectivo de alcançar um alto teor de THC, os breeders estão cada vez mais a amplificar e a diversificar as suas selecções, de forma a produzir também variedades ricas em CBD, CBG, THCV e por aí fora.

Embora o perfil de cada variedade possa variar tremendamente, todas as plantas têm como objectivo proporcionar bem-estar e uma experiência agradável e positiva na sua utilização, seja qual for a intenção do utilizador ao consumi-la.

Qual delas a melhor ou a legítima?

Na realidade não existe melhor ou pior, legítima ou ilegítima, no que toca a comparação entre canábis medicinal e recreativa. A escolha acaba por ser algo mais pessoal, que vai do contexto e da situação de cada um e de como pretende fazer o seu uso, sem esquecer as leis em vigor em cada país.

Podemos tentar, até, diferenciar os tipos de utilização, mas a planta será sempre a mesma

Se procura uma solução para aliviar os sintomas derivados de problemas de saúde, a recomendação será sempre a de entrar em contacto com um médico especialista ou profissional de saúde, de forma obter o acompanhamento certo e a melhor forma de tratamento. Caso a intenção de utilização seja mais ao nível do bem-estar ou do consumo pessoal mais “recreativo”, recomenda-se que a proveniência da canábis seja o mais fiável possível, evitando o recurso a dealers ou a produtos de origem duvidosa. Apesar dos riscos, o auto-cultivo, será, talvez, a melhor forma de obter a canábis para consumo pessoal, pois permite o controlo total de variedades e qualidade.

O que reter no final disto tudo?

Só existe uma planta canábis. “Medicinal” ou “recreativa” acabam por ser termos demasiado vagos e muitas vezes usados de maneira errada, visto que, na sua essência, a planta usada para qualquer uma das finalidades é exactamente a mesma, variando apenas a percepção e a aceitação social que se faz da sua utilização. No fundo, as suas diferenças vão ser mais ao nível dos padrões e regras de qualidade e de cultivo, que terão que ser seguidos consoante a finalidade e mercado alvo do produto final, tendo em conta que, no mundo ideal esses padrões deveriam ser idênticos para qualquer tipo de utilizador, tal como deixou bem claro Ethan Russo.

Daí ser muitas vezes dito que “não existe canábis medicinal nem canábis recreativa, existe sim  a utilização com fins medicinais ou com fins recreativos,” uma vez que é com base no tipo de utilização que se faz e no que se pretende em termos de efeitos que depois tudo o resto acaba por ser estabelecido.
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João Xabregas é profissional de Desenho Técnico em CAD, auto-didacta, activista e defensor da canábis, a planta mais perseguida do mundo, pela qual nutre uma enorme paixão. Sempre disposto a uma boa conversa sobre o mundo da canábis, seja com quem for, João também testa e analisa produtos relacionados com a cultura canábica, para os dar a conhecer a quem quiser saber mais sobre eles.

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