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Opinião

É preciso debater os tabus em torno da canábis

Publicado

em

Foto: Saad Chaudhry @ Unsplash

Houve um tempo, e não foi há muito tempo, que falar sobre canábis era um enorme tabu, sendo a planta considerada uma “droga de entrada” que danificaria o seu cérebro para sempre e que a sua vida social seria arruinada. 

A imagem popular de uma pessoa que usa canábis de forma inalada, na sua maioria fumando a erva como um cigarro, está carregada de imaginários negativos para a saúde, desde o fumo que causa cancro até à clássica falta de memória. Mas a ciência real por trás dessas insinuações populares está mais perto de ser desmistificada, já que muitos estudos sugerem que os fitocanabinóides actuam como neuroprotectores e apontam outros benefícios para além da planta.

Conforme os países foram legalizando e as pesquisas em torno da utilidade da canábis foram sendo feitas, a cultura em torno da planta também foi ganhando outras formas. Há já inúmeras evidências sobre a sua utilização moderada ter benefícios, sendo algo positivo para os adultos. Muitos já admitem abertamente o uso e relatam como a canábis os ajuda diariamente.

Em Portugal, segundo dados de um inquérito do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência, 40% das pessoas que admitiram o uso da planta utiliza-a para tratar ansiedade e depressão, sendo que 84% usa para combater o stress, junto com 52% para melhorar o sono e 15% para aliviar dores e inflamações. O mesmo estudo mostrou também que 88% dos consumidores portugueses faz uso directo das flores, ou seja, de forma inalada, mostrando que não podemos abdicar de nenhum método de uso, pois cada um tem as suas especificidades.

No Brasil o tabu ainda é enorme para admitir ser utilizador. Um inquérito feito pelo ‘Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira’ e divulgado pela FioCruz revelou que 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usou canábis pelo menos uma vez na vida. Porém, 78% dos entrevistados disse conhecer alguém que fuma.

Uma outra pesquisa, publicada no Journal of Psychiatric Research, feita por um grupo brasileiro com quase 7.500 pessoas indicou que as medidas subjectivas de bem-estar foram maiores entre os utilizadores habituais e ocasionais do que entre os não utilizadores. A baixa qualidade de vida, sintomas de depressão ou de ansiedade foram mais prevalentes entre os utilizadores disfuncionais (indivíduos que usam a canábis e percebem problemas pessoais com o uso), mas os que não utilizavam canábis relataram mais sintomas de depressão ou ansiedade e menos qualidade de vida do que os que o faziam ocasional ou habitualmente.

Com o proibicionismo e a guerra às drogas, criou-se uma imagem extremamente negativa a respeito do utilizador de canábis, com a qual as pessoas não querem estar associadas e isso gera uma falácia na nossa sociedade. Logo, as limitações existentes na investigação científica sobre canabinóides são praticamente um problema de saúde pública e a regulamentação do uso adulto de canábis ofereceria outros grandes benefícios medicinais e novos negócios e empregos iriam surgir dentro desse mercado. Precisamos debater os tabus e a legalização para ontem.

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