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Entrevistas

Tej Virk tem uma mensagem para o Governo Português: “Legalizem antes da Alemanha!”

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Tej Virk, CEO da Akanda. Foto: D.R. | Akanda Corporation

Tej Virk, CEO da Akanda Corporation, que recentemente adquiriu a portuguesa Holigen por 26 milhões de euros, ganhou reputação no espaço global de canábis nos últimos anos, após construir uma sólida carreira na banca e nos mercados de capitais. Depois de ter pegado nos activos da Bophelo, no Lesotho, e da Canmart, no Reino Unido, Tej está empenhado em transformar a Akanda na empresa líder de canábis medicinal a nível internacional e Portugal é um ponto estratégico para a expansão. Antecipando o futuro, Tej tem já os olhos postos no mercado do uso adulto e deixa uma mensagem ao Governo de Portugal: “Legalizem antes da Alemanha”.

Encontrámo-nos com Tej Virk nas instalações da Holigen, em Sintra, onde conhecemos também Tom Flow, da The Flowr Corporation, que vendeu a subsidiária portuguesa à Akanda, e percebemos que mantêm uma boa relação.

Como começou a trabalhar com canábis, o que fazia antes e como acabou a comprar uma empresa de canábis medicinal em Portugal?
Nasci no Canadá, estudei lá e mudei-me para o Reino Unido em 2007. Isto fez parte da minha carreira bancária, que fiz durante uns 15 anos, focada no mercado de capitais e finanças. Estive muito envolvido em acções, onde ajudei a liderar mais de 100 IPO’s (Initial Public Offering). Ajudei a angariar milhares de milhões de dólares em financiamento para empresas nos sectores de saúde, tecnologia, recursos e espaços do consumidor e realmente deparei-me com o sector da canábis em 2017/2018. Foi quando eu estava a começar a monitorizar as coisas, pois a legalização estava a acontecer nos Estados Unidos e no Canadá, de onde eu sou, e pensei que isso era uma grande mudança social. Eu sou um adepto da liberdade de escolha e ter acesso a coisas como a canábis, que realmente têm um verdadeiro valor medicinal de cura e um excelente perfil de segurança, levou-me a envolver-me mais com o financiamento real das empresas. A minha empresa anterior estava muito envolvida no sector e em 2018 foi quando comecei a conhecer os CEOs de algumas dessas grandes empresas de canábis. A Canopy Growth, em particular, foi um cliente com quem trabalhei e construí um relacionamento e isso levou a uma oferta de trabalho para deixar o banco e mudar para a Canopy Growth, onde fui Director Geral da operação europeia.

Foi nessa altura que começou uma nova carreira, na Europa?
Sim, primeiro baseado em Londres, depois mudei-me para Frankfurt no início de 2019. Foi na Canopy Growth, em Frankfurt, que aprendi o passo a passo para negócios farmacêuticos de canábis, a estratégia de mercado da cadeia de fornecimento, os produtos e como implementá-los na Europa. Na altura, a Canopy estava a criar muitos negócios em vários países europeus, então desenvolvi uma rede em toda a Europa, África do Sul, América Latina, Ásia-Pacífico e América do Norte, foi uma experiência incrível. Deixei a Canopy no final de 2019 para ingressar na Khiron Life Sciences como presidente para a Europa e a exigência de montar os negócios da Khiron do zero na Europa. A Khiron é uma empresa colombiana de canábis medicinal verticalmente integrada. Na Colômbia, têm uma operação de crescimento com uma fábrica e depois clínicas onde colocam os seus produtos nas mãos dos pacientes necessitados e eu pude trazer a marca e estabelecê-la na Europa. Foi um desafio emocionante e estou muito feliz com o progresso que foi feito. Saí da Khiron em meados de 2020 para perseguir esta oportunidade e a Akanda foi uma empresa que ajudei a fundar.

O que significa Akanda, qual é a origem do nome?
Akanda é sânscrito para “indestrutível”, “imortal”, “força”, e esse é exactamente o tipo de empresa que estamos a tentar construir aqui, uma empresa a longo prazo, que aprenda com os erros que possam ter sido cometidos no sector, pois tem crescido muito rapidamente. Mas se olhar para as minhas motivações, mencionei como sou pró-escolha e como vejo o bem social da canábis. Quero dizer, há muitos argumentos em torno da legalização medicinal, onde realmente há indicações para a dor, sono, ansiedade, epilepsia, onde as evidências científicas são irrefutáveis ​​e é óptimo ver que mais pesquisas estão a ser feitas para trazer produtos que ajudem os pacientes, provavelmente o mais avançado será algo como a GW Pharmaceuticals. Mas, por outro lado, se houver um uso adulto ou legalização recreativa em diferentes países, haverá benefícios e segurança para os consumidores. Se virmos as receitas fiscais geradas e esses fundos a serem direccionados para os lugares que fazem sentido, em oposição ao mercado negro e às actividades ilícitas e, em geral, apenas criando uma alternativa – acho que mais saudável – ao álcool, como já acontece em países como o Canadá e diferentes estados nos EUA, então é muito emocionante ver que parte disso está agora a acontecer na Europa. Estamos a começar a ouvir coisas em lugares como a Alemanha, onde temos o primeiro chanceler em dezasseis anos, num partido de coligação, a falar sobre legalização. Acho que é uma coisa muito profunda para se fazer e acho que outros países europeus estão a seguir isso.

Já teve algum contacto pessoal com canábis?
Uma coisa pessoal que posso mencionar é que vi em primeira mão o efeito da canábis mudar a vida da minha mãe, que é paciente de canábis e sofria de dor crónica há anos. Passou por todos os opióides, fisioterapias, acupuncturas, até injecções de Botox nos tecidos moles, para ajudar a anestesiar a dor. É uma indicação muito difícil de tratar, porque muitas pessoas sofrem de dor crónica, mas geralmente apenas se prescrevem analgésicos e pronto. A canábis é uma alternativa e a minha mãe teve muitos benefícios. Foi prescrita e orientada pelo médico e mesmo que o Canadá, onde ela mora, tenha um mercado recreativo e médico, ela vai ao médico, porque recebe essa orientação e finalmente conseguiu ter boas noites de sono. Isso é apenas… totalmente… para mim, enquanto obviamente vejo as evidências científicas e vejo o que acontece no mercado, ver isto a acontecer na minha própria família é… e eu até cresci numa casa bastante conservadora. Não estávamos a falar sobre cultivar canábis, mas foi um grande salto para nossa família e esse quebrar do estigma eu vi em primeira mão. E as coisas mudaram tão rápido!… Então, essas são algumas das minhas motivações, porque quero fazer parte do movimento e realmente quero ver a canábis mudar o mundo para um lugar melhor. Estamos a fazer isso com a Akanda, com as nossas operações no Lesoto – África do Sul, Reino Unido e agora, mais recentemente, Portugal.

A Akanda é uma empresa muito recente, como é que tudo começou?
A Akanda é uma empresa internacional, uma plataforma de bem-estar e canábis medicinal fundada em meados de Junho de 2021, foi nessa altura que entrei como co-fundador. A Akanda reuniu diferentes empresas do espaço internacional de canábis, a Bophello, no Lesoto, que é um activo de cultivo em larga escala, e a CanMart, no Reino Unido, que é o nosso importador e a empresa de distribuição. Esse foi o início de uma empresa focada na Europa e na África, verticalmente integrada, que significa “da semente até ao paciente”, para que se tenha o controlo total sobre a capacidade de levar aos pacientes produtos consistentes. Somos uma plataforma, o que quer dizer que trazemos o nosso próprio produto (chamamos de produto 1P), mas também podemos trazer de terceiros (portanto, 3P). Isso ajuda na distribuição e tudo é regido por uma abordagem de ESG (Environmental, Social and Governance) e Ética.

Tej Virk, CEO, com Louisa Mojela, presidente executiva da Akanda. Foto: Akanda Corp.

Como surge essa preocupação ao nível de ESG na empresa?
Tem a ver com a forma como operamos, para garantir que estamos a ter um impacto positivo no meio ambiente, social e de governação. Estávamos particularmente focados em ajudar mulheres e pessoas vulneráveis ​​nas comunidades onde operamos e isso decorreu da nossa presidente executiva, Louisa Mojela, que é uma das mulheres de negócios mais proeminentes da África e tem uma longa história de iniciativas ESG e Éticas. A Louisa é membro de alguns dos conselhos mais prestigiados da África do Sul e, para ela, trata-se realmente de ver isso acontecer, fazer o bem social, então estamos a trabalhar para as três partes interessadas: o paciente, os accionistas e a comunidade, e não há razão para que não se possa fazer os três. Isso significa cumprir as metas de desenvolvimento sustentável da ONU para 2030 como uma única empresa. A Akanda está a realizar 12 de 17 desses objectivos, o que realmente é algo para nos orgulharmos. Também somos afiliados de vários fundos em África, onde estamos a ajudar a construir escolas, locais de culto, programas de desenvolvimento de agricultores e também colocamos 3% do património da nossa empresa num fundo para o benefício das comunidades onde estamos a operar. A Akanda também tem um conselho maioritariamente feminino, diverso em termos raciais e maioritariamente independente. Tudo isto assume um destaque para a NASDAQ, um destaque para as empresas nos Estados Unidos e, realmente, é uma directoria muito realizada, com muitas conquistas diferentes. Um dos membros do nosso conselho era ex-diretor do conselho do Yahoo!, outro membro do nosso conselho está em algumas das maiores empresas da África do Sul, outro está no mundo dos Media em Los Angeles… Então, voltando à nossa empresa, de forma muito simples, podemos descrevê-la em três palavras: Crescer, Mover e Curar. Esses são os nossos três pilares. Crescer – referindo-se ao nosso foco no cultivo/fabrico de produtos de canábis medicinal; Mover – significa a nossa capacidade de distribuir, então temos essa empresa de importação que está a distribuir aos nossos canais próprios, bem como aos nossos canais parceiros (portanto, um parceiro com diferentes distribuidores na Europa); e Curar, trata de levar o produto aos pacientes, às suas mãos, àqueles que precisam dele, e estamos a fazer isso, obviamente, através da nossa distribuição, mas também temos um parceiro no Reino Unido, chamado Cellen Life Sciences, que tem a primeira clínica de dor online, totalmente digital, e é parceira da rede de farmácias de rua Boots, a maior do Reino Unido, bem como do NHS. É a única teleclínica do género que possui esse tipo de parceria e também prescreve canábis medicinal, usando-a de forma holística, por isso estamos muito satisfeitos com essa parceria. Acho que é um modelo que pode ser levado para outras partes da Europa no futuro.

Como é que financiaram a empresa?
Financiámos de forma privada. Teve um financiamento pré-IPO de mais de 5 milhões de dólares e em paralelo iniciámos o processo de abertura de capital nos Estados Unidos, o que nos permitiu ser bem-sucedidos em trazer a oferta pública inicial para a NASDAQ, em Março de 2022. O cronograma foi extremamente rápido, da ideia ao IPO foram 9 meses. No total, arrecadámos pouco mais de 20 milhões nos EUA.

Tej Virk tem uma boa relação com Tom Flow, da Flowr Corporation. Foto: Laura Ramos | Cannareporter

E como é que chegaram a Portugal e à Holigen?
Quando estávamos a fazer a IPO, começámos a olhar de perto para a Holigen em Portugal e realmente vimo-la como a peça que faltava na nossa cadeia de suprimento. A Holigen traz muitos benefícios para a nossa empresa, como a certificação GMP da União Europeia, então encaixa-se como uma luva com tudo o que está a acontecer na nossa operação africana. Tem o seu próprio produto e uma equipa maravilhosa, que é completamente complementar à equipa que está sediada aqui, muito expertise farmacêutico, o tipo de activo que é, altamente diferenciado em toda a Europa. É realmente um activo único e mal podemos esperar para começar a trabalhar juntos. Estamos a começar esta jornada agora e há muitas oportunidades para expandir, tanto numa base inicial – este 1P que falei sobre o nosso próprio produto – como numa base B2B – o 3P – que é exactamente onde estou interessado em apoiar outros cultivadores, que desejam trazer os seus produtos para o mercado através do processamento e das nossas instalações. Esse é um serviço que estamos interessados ​​em oferecer, não apenas num determinado campo, mas alargar além disso. Então, realmente, trazer esta unidade para a sua plena legalização e estar sediada na Europa, ter acesso aos mercados europeus que estão a crescer rápido… Eu acho extremamente importante estar perto do mercado.

E também cultivam canábis no Lesoto?
Sim, cultivamos. Se você olhar para todo o cultivo na Akanda, temos uma espécie de portfólio completo. O Lesoto está a cultivar ao ar livre, em algumas estufas básicas e, também, a fazer algum processamento pós-colheita – secagem e preparação do produto. Tudo isso acelerou desde Agosto do ano passado, quando alcançámos a qualificação GACP, e continuamos a avançar rapidamente. A Holigen é um cultivo interior e, quando vemos que realmente obtemos diferentes tipos de produtos, com diferentes pontos fortes, isso dá-nos muita flexibilidade na cadeia de suprimento. E também dispomos do outdoor e estufas em Aljustrel.

Sim, e é bem grande, o terreno de Aljustrel… são cerca de 40 hectares, não é?
É… se eu puder dizer o número exacto… acho que são 180 acres. Eu sempre estrago a matemática na conversão. Nos EUA eles gostam de dizer acres, aqui são hectares.

Eu posso fazer a conversão depois… (180 acres são cerca de 72 hectares).
Isso mesmo, mais de 180 acres, então o que é realmente interessante é que, quando montamos esse portfólio, acho que somos uma das poucas empresas do mundo que tem a capacidade de aproveitar as temporadas ao ar livre em dois hemisférios, numa espécie de fuso horário. As estações do Lesoto são invertidas em relação a Portugal, então quando eles estão a colher, começa-se a plantar aqui e isso é uma flexibilidade muito, muito diferenciada, que nós vamos utilizar a nosso favor.

Voltando um pouco atrás, quando falou da integração vertical e da “semente ao paciente”, um dos problemas que de Portugal é que, apesar de termos legalizado a canábis medicinal em 2018, quatro anos depois há apenas dois derivados de canábis nas farmácias – o Sativex da GW e flores com 18% de THC da Tilray. Não há, sequer, CBD, não há óleos, não há outro tipo de flores… Como é que vê esta situação, sabia disto?
Estávamos bem cientes disso ao fazer a nossa due diligence em Portugal, para entender o mercado. Tivemos várias consultas, para realmente entender o que está a acontecer aqui, no mercado interno, e dissemos publicamente que pretendemos investir na distribuição de produtos e procurar parcerias de sementes em Portugal. Acreditamos que, actualmente, há uma procura não atendida no mercado. Está claro. Se olhar para a nossa equipa de gestão, temos experiências a trazer produtos de canábis medicinal para diferentes partes da Europa, como abertura de mercados em estágio inicial. Acho que temos todas as ferramentas no nosso conjunto de competências e na nossa base de activos para poder fazer isso. Só que isso levará algum tempo e é nisso que estamos focados agora.

Quanto tempo acha que vai demorar até a Akanda colocar produtos nas farmácias portuguesas?
É difícil definir uma data exacta para isso, mas posso dizer que é uma prioridade. Em breve.

A Holigen é uma empresa bastante grande, vai mudar-se para Portugal? E vai manter o nome Holigen ou mudar tudo para Akanda?
A Holigen é uma subsidiária da Akanda, tal como temos a Bophello no Lesoto ou a CanMart no Reino Unido. Sempre faremos o que é certo para o mercado e o que é melhor para os pacientes, então quando se trata de branding e se houver uma decisão que precise ser tomada, tomaremos a decisão certa, mas essas são todas as coisas que ainda estamos a averiguar. A Akanda é realmente a nossa marca, mesmo se fizermos algum produto rotulado com algo que não decidimos… mas eu gosto do nome Holigen, gosto da marca Holigen, acho que tem reconhecimento e queremos construir sobre isso .

A unidade de produção da Akanda no Lesotho. Foto: Akanda Corp.

E a produção em Portugal? Tem uma ideia de quanto vai produzir este ano e nos próximos?
Bom, o que posso dizer é que afirmámos publicamente que a capacidade desta unidade indoor de Sintra é de cerca de 2 toneladas por ano e depois há uma capacidade adicional para processar produtos de terceiros que é de 7 ou 8 toneladas. E depois o outdoor em Aljustrel pode produzir consideravelmente mais de 100 toneladas, então temos muita flexibilidade e é realmente do nosso interesse crescer o mais rápido possível para atender à demanda do mercado. Vamos começar por nós mesmos, com a capacidade que temos aqui e, tal como mencionei anteriormente, estamos interessados ​​em trabalhar com terceiros para utilizar as restantes instalações. Isso já lhe dá uma ideia dos números onde isso pode ir. Quando poderá ser, tem a ver, realmente, com o mercado e a demanda. Uma das coisas que eu disse publicamente é que queremos construir uma empresa que seja lucrativa no crescente mercado medicinal actual na Europa. Este ainda é um mercado que está nos estágios iniciais à escala global e nós agora temos uma base de activos que achamos que pode ajudar-nos a chegar a esse ponto. Ao mesmo tempo, gostaríamos de ter a opção de hiperescalar para a oportunidade que pode vir com o uso adulto, ou as mudanças “recreativas”, pois temos o local ao ar livre, com essa facilidade e capacidade de escala. É uma equação complicada de resolver, porque o interruptor pode simplesmente ligar e então precisamos de ser capazes de suprir esse mercado, mas acho que com esta base de activos conseguimos. Temos a capacidade de operar e crescer rapidamente devido a toda essa capacidade extra. O foco é fazer isso de forma lucrativa.

Portanto, neste momento a Akanda é apenas medicinal, mas estão, também, com os olhos postos no uso adulto de canábis.
Com certeza! Deixámos claro que o nosso modelo tem como premissa o mercado medicinal global, mas os países europeus estão a procurar abrir os mercados de uso adulto e isso é algo que definitivamente nos concentraremos em analisar. Estamos a construir uma cadeia de suprimentos escalável e acho que fazer parte disso é uma opção natural para a Akanda. O que isso significa em termos de marcas e comércio, não posso prever como será, mas sei que queremos fazer parte do que está a acontecer na Europa. E estamos a monitorizar o que está a acontecer em Portugal também. Estou esperançoso e estaremos prontos para fazer mudanças à medida que o governo mudar.

Se tivesse oportunidade de falar com o Governo Português o que diria?
Bem, eu diria algumas coisas. Primeiro: “Parabéns por tornar Portugal, provavelmente, o centro de excelência da canábis na Europa”. Esta é uma indústria em rápido crescimento, onde o impacto no PIB em países como o Canadá e Estados Unidos é muito visível, com dezenas de milhares de milhões de dólares e acho que, ajudar a fazer isso acontecer aqui, aproveitar as pessoas qualificadas, o clima, a infraestrutura, isso foi brilhante… então, “parabéns” seria a primeira coisa. A segunda seria “Agarre essa liderança e estenda-a”. Esta é uma chance de continuar a ser um pensador avançado e estou muito ciente de que Portugal descriminalizou todas as drogas no início dos anos 2000 e o impacto social que teve. Também estou ciente dos diferentes programas que o país está a fazer para atrair investimentos e acho que é claro que a legalização da canábis ajuda a economia e a comunidade em questões como tributação, segurança, reduzir a actividade criminosa… todas estas coisas são, penso eu, apenas resultados comprovados, óbvios, que vimos no Canadá e nos Estados Unidos, onde isso já aconteceu. E por isso, há aqui uma hipótese de Portugal estar à frente. A Alemanha talvez legalize daqui a dois ou três anos, dependendo de como as leis se encaixam, mas há uma chance de Portugal continuar na liderança, então: legalizem antes da Alemanha!

Estas são as “três palavras mágicas” que já me tinha dito antes de começarmos a entrevista. Mas porquê antes da Alemanha?
Bom, acho que é só… continuar essa liderança. Acho também que é uma chance para o país continuar a ganhar esse investimento, ser o centro de excelência, ter toda a cadeia de valor aqui e acho que esse é o primeiro passo para obter vantagem.

E o que diria aos deputados mais cépticos?
Acho que para os cépticos eu diria “veja os exemplos, veja os estudos”. Acho que ainda há muita desinformação e estereótipos passados, preconceitos e estigmas. Alguém que passou muito tempo a analisar factos e viu exemplos da vida real, acho importante olhar, novamente, para países como o Canadá. É um país da OCDE, que legalizou há anos. Ainda está de pé, a sociedade não desmoronou.

Não, e o consumo entre os jovens, por exemplo, baixou.
Exactamente, exactamente! Então, eu acho que as tendências são positivas, as tendências sociais estão lá e tem havido arrecadação tributária também, quer dizer… eu acho que com o que vimos em lugares como o Canadá, é uma chance de imitar o sucesso desses países e novamente ser líder na Europa, ganhar com o investimento agora e manter esse talento aqui.

Tej Virk e Louisa Mojela nas instalações da Bophello, no Lesotho. Foto: Akanda Corp.

Alguns países, como o Canadá, também incluíram o direito de auto-cultivo, não só para pacientes, mas para pequenas comunidades locais, para que também pudessem melhorar o acesso e a sua economia. O que acha do direito a cultivar em casa?
Bom, quer dizer, em última análise, trata-se de atender a demanda pessoal, necessidade, seja médica ou não. Acho que isso se enquadra no mesmo tipo de ideia que mencionei anteriormente, que existem direitos pessoais e que as pessoas sentem que podem fazer isso melhor do que uma empresa. Quero dizer, atinge os mesmos pontos que mencionei anteriormente sobre a legalização e os benefícios associados à cannabis. Há alguém que está a tentar fornecer escala, produto para o mercado, que seja consistente e rastreável, e isso pode fazer-se a nível industrial. Estou incerto sobre o que acontece se alguém fizer isso em pequena escala, como em casa. Se você for um excelente horticultor, talvez seja incrível! Se você não é, eu não sei! (risos) Então, eu acho que é uma escolha pessoal.

É como plantar batatas ou legumes. Nem toda a gente tem “mão verde” para ter plantas em casa…
É muito desafiante! Eu tinha um pequeno lote em Londres, onde moro, para o qual fiquei cinco anos em lista de espera, só para conseguir uma pequena horta na cidade, do tamanho desta sala… E eram 15 horas por semana de trabalho! Durante a pandemia foi incrível, toda a família estar ali, sujar as mãos, cultivar as nossas próprias hortaliças – e não há nada mais gostoso do que aquelas hortaliças, aqueles tomates e alface, pepinos, tudo o que plantámos foi incrível! Mas também foi muito desafiante, é um trabalho árduo e há doenças de plantas e nós tivemos todas essas coisas. Acho que a indústria da canábis tem muitos paralelos dos quais estamos a beneficiar agora na Europa, de muitas das experiências que a indústria teve no Canadá e nos Estados Unidos, onde, provavelmente, há quase 20 anos de experiência de industrialização do crescimento, de modo que tudo afecta a qualidade. Acho que essa é outra razão pela qual as pessoas querem que as empresas façam isso também.

Como será, agora, a transição da Flowr para a Akanda? 
Bem, estamos no início dessa jornada e acho que é uma equipa de gestão realmente complementar. Eu acho que a Holigen tem muita liderança aqui e nós também e isso encaixa-se como duas peças de um puzzle. É realmente um óptimo ajuste, então acho que você está a voltar a uma das suas perguntas anteriores, que talvez eu não tenha respondido directamente, sobre ter uma presença também… não sei se nos vamos mudar para Portugal em breve, mas, definitivamente, é algo que poderia ser uma experiência agradável. Pretendo ter uma presença aqui, uma presença regular, e isso também vai ajudar na busca da cultura global da nossa jovem empresa.

E como tem sido a sua experiência, aqui em Portugal?
Absolutamente fantástica! As pessoas, a beleza natural, a comida… que eu acho que é extremamente subestimada na Europa (risos), e isso é incrível aqui! Realmente, de uma perspectiva pessoal, estou a gostar muito e, para mim, que sou alguém que já viveu em diferentes partes da Europa e viajou muito, estou muito animado com as possibilidades para Portugal e com o que está a acontecer aqui.

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