Connect with us

Internacional

Colômbia: Presidente quer “cultivar canábis como milho”, sem licenças

Publicado

em

Ouvir este artigo
Foto: Noticias RCN

O Presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro, abriu o debate sobre a legalização da canábis com uma proposta inusitada: que os camponeses colombianos cultivem canábis, sem licenças, como se faz com outros alimentos, para que a Colômbia possa tornar-se num país competitivo no mercado internacional das exportações. Petro defende que o cultivo de canábis sem licença pode gerar um impacto positivo na ordem pública, diminuindo a violência em regiões historicamente conflituosas e que chegou a hora de os detidos saírem das prisões.

As declarações de apoio à legalização da canábis de Gustavo Petro foram proferidas durante o primeiro encontro de governantes da costa do Pacífico, um evento que aconteceu na cidade de Cali esta semana. As palavras do senador e candidato presidencial Gustavo Petro, líder do Pacto Histórico (união de sete movimentos e partidos políticos de esquerda) fundamentaram-se nas receitas que a Colômbia poderia gerar com esta medida e teceram-se críticas a outros modelos de legalização. Para Gustavo Petro, o cultivo da canábis recreativa deve estar nas mãos dos camponeses, da mesma forma que está o milho.


O rendimento para os camponeses e não para as multinacionais

O chefe de Estado da Colômbia deixou ainda no ar uma questão relativamente aos elevados custos de entrada na produção de canábis, mostrando que tem uma solução alternativa. Pedro defende que o cultivo de canábis sem licença pode gerar um impacto positivo em termos de ordem pública, diminuindo – segundo ele – os números de violência em regiões historicamente conflituosas.

“Se queremos que os governantes que estão na área dos Andes, onde a canábis é produzida (Corinto, Miranda), mantenham um diálogo regional, temos que conversar. O que acontece se a canábis for legalizada na Colômbia sem licenças, como é actualmente feito para plantar milho, batatas e perceber se é um produto que pode ser exportado e ganharmos alguns dólares?”, questionou.

E acrescentou ainda: “Será a multinacional canadiana a ficar com os dólares do cultivo ou serão os produtores de canábis locais?”

No seu argumento, o presidente colombiano complementou que se o negócio da canábis for legalizado, não haverá razão para que as prisões continuem superlotadas, afirmando que chegou a hora de as pessoas que permanecem detidas porque foram criminalizadas saírem das prisões.

Projecto de lei defende que canábis pode ser recreativa

Um projecto de lei que visa regular a canábis para uso adulto ou recreativo foi apresentado pelo senador Gustavo Bolívar. Com isso, o membro da bancada do governo propõe criar normas para o cultivo, produção, abastecimento, armazenamento, transformação, comercialização, acesso e uso da planta psicotrópica.

O projecto foi apresentado várias vezes, tendo afundado nas fases iniciais do debate. Desta vez, Bolívar, com o apoio dos deputados Norman Bañol, Aida Marina Quicué, Ermes Evelio Pete, Polivio Rosales, Erick Velasco, Jorge Ocampo, Juan Pablo Salazar, Susana Gómez, Gloria Flórez, Juan Carlos Losada e Pedro Flórez, confia que possa vir a ser aprovado.

Em primeiro lugar, o projecto de lei trata de licenças para actividades económicas em torno da canábis. Para o cultivo, estes seriam regulamentados num sistema de cotas para controlar a oferta e o abastecimento.

No que se refere à regulamentação da produção, fala-se em benefícios para pequenos produtores, que terão licenças prioritárias “através da discriminação positiva baseada em aspectos de género, etnia, nível socio-económico, situação de vulnerabilidade, viver em territórios afectados pelo conflito armado ou cultivos ilícitos, entre outros”, disse.

Quanto ao acesso, o projecto de lei pede ao Ministério da Saúde que regule os mecanismos pelos quais as pessoas maiores de idade poderão aceder à planta “de forma segura, informada e fora dos riscos de segurança e saúde pública que representam o vínculo com o mercado ilegal desta substância”.

Finalmente, permitiria também o cultivo próprio em propriedade privada, em número não superior a 20 plantas para uso pessoal ou colectivo. Esta modalidade não poderia ter fins de comercialização ou lucro.

 

____________________________________________________________________________________________________

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

____________________________________________________________________________________________________

O que fazes com 3€ por mês? Torna-te um dos nossos Patronos! Se acreditas que o Jornalismo independente sobre canábis é necessário, subscreve um dos níveis da nossa conta no Patreon e terás acesso a brindes únicos e conteúdos exclusivos. Se formos muitos, com pouco fazemos a diferença!

+ posts

Sou um dos directores do CannaReporter, que fundei em conjunto com a Laura Ramos. Sou natural da inigualável Ilha da Madeira, onde resido actualmente. Enquanto estive em Lisboa na FCUL a estudar Engenharia Física, envolvi-me no panorama nacional do cânhamo e canábis tendo participado em várias associações, algumas das quais, ainda integro. Acompanho a industria mundial e sobretudo os avanços legislativos relativos às diversas utilizações da canábis.

Posso ser contactado pelo email joao.costa@cannareporter.eu

Clique aqui para comentar
Subscribe
Notify of

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Publicidade


Veja o Documentário "Pacientes"

Documentário Pacientes Laura Ramos Ajude-nos a crescer

Mais recentes

Internacional20 horas atrás

Polícia alemã esclarece que não sugeriu consumo de canábis (em vez de álcool) aos adeptos ingleses do Euro 2024

A polícia de Gelsenkirchen, na Alemanha, foi citada numa notícia onde afirmou que as atenções estariam mais centradas nos adeptos...

Eventos1 dia atrás

Substâncias sintéticas ameaçam enorme sucesso da Mary Jane Berlin

Era expectável que esta edição da Mary Jane Berlin fosse a maior concentração de sempre da comunidade da canábis na...

Nacional3 dias atrás

ICAD promove inquérito europeu sobre consumo de drogas em Portugal

O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) iniciou a 4ª edição do European Web Survey on Drugs...

Eventos4 dias atrás

Maren Krings, autora do livro “H is for Hemp”, apresenta documentário sobre a Ucrânia hoje, em Lisboa

Maren Krings, fotojornalista e autora do livro “H is for Hemp” está hoje em Lisboa para apresentar o seu novo...

Internacional6 dias atrás

EUA: Pediatra Bonni Goldstein lança petição contra a proibição de medicamentos de CBD natural na Califórnia

A pediatra norte-americana Bonni Goldstein está a alertar para a tentativa de proibição de medicamentos derivados de CBD natural na...

Internacional6 dias atrás

Europa tem quase 23 milhões de utilizadores de canábis, a mais consumida de todas as substâncias ilícitas

A canábis continua a ser, de longe, a substância ilícita mais consumida na Europa. Estas são as conclusões do “Relatório...

Eventos7 dias atrás

Mary Jane celebra a cultura da canábis legal pela primeira vez na Alemanha

É já no próximo fim-de-semana, de 14  16 de Junho, que se realiza a já habitual Mary Jane, na Messe...

Eventos2 semanas atrás

CB Club reúne profissionais da canábis antecipando a Mary Jane, em Berlim

A antecipar a CB Expo (Cannabis Business Expo and Conference), que acontecerá em Dortmund, em Setembro, a CB Company vai...

Reportagem2 semanas atrás

África do Sul: a legalização de uma indústria que já prospera

Nas semanas que antecederam as eleições para Assembleia Geral na África do Sul, na passada quarta-feira, 29 de Maio, havia...

Entrevistas2 semanas atrás

Rui Reininho: “Eu acho esquisitíssimo andarem os meus colegas da GNR a meter o nariz nas propriedades das pessoas a ver o que é que esta planta faz”

Rui Reininho, músico português que ficou famoso enquanto vocalista dos GNR, dispensa apresentações. Ao contrário do que muitos pensam, não fundou...