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Sérgio Neto e Ricardo Morais, fundadores da Pure Healing, saíram da empresa

Sérgio Neto e Ricardo Morais, os dois fundadores da Pure Healing (PH), deixaram os seus cargos na empresa no início do mês de Agosto, deixando Marina Penim, a terceira sócia gerente, sozinha na direcção da empresa. Os três deram uma entrevista em exclusivo ao Cannareporter no ano passado, poucos meses depois de terem obtido licença do Infarmed.
A Pure Healing é uma das poucas empresas 100% portuguesas com licença do Infarmed para produção, cultivo e exportação de canábis para fins medicinais. Apostando no cultivo orgânico, a PH criou 13 postos de trabalho e tem perspectivas de crescimento para a sua plantação de 5 mil metros quadrados, perto de Alcácer do Sal, onde atingiu, no ano passado, níveis recorde de THC em duas plantas auto-florescentes — Auto Cinderella Jack (28%) e Auto Skywalker Haze (29%).
Ao telefone, Marina Penim confirmou a saída de Ricardo e Sérgio ao Cannareporter, dizendo que “as empresas têm ciclos e como tal, nesta fase houve uma mudança. O Sérgio e o Ricardo fizeram um excelente trabalho no arranque da empresa, uma luta incansável nos últimos quatro anos. Chegados aqui outras oportunidades se lhes depararam”. Marina agradeceu ainda “a partilha, o conhecimento que nos proporcionaram e as vivências do dia a dia”.
Quanto ao futuro da PH, Marina garantiu que a empresa “irá manter o foco, a mesma ideologia e a mesma determinação em fazer um cultivo destinado a ajudar quem mais dele precisa. E a colocar no mercado flor de canábis da melhor qualidade”.
4 anos de “sangue, suor e lágrimas”, que deixam “as melhores recordações”
Em declarações ao Cannareporter, Sérgio Neto disse que não houve um factor específico que tenha motivado a sua saída. “Creio que todos nós passamos por diferentes fases na vida e existem ciclos que têm duração limitada. Desde 2018, ainda antes de nascer a Pure Healing oficialmente, foram lançadas as primeiras setas que nos levaram no caminho que fomos construindo, folha a folha, teste a teste, planta por planta. É um facto que dinamizar uma start- up tem os seus desafios. O mercado da canábis em Portugal tem a idade da PH e está em constante desenvolvimento. Ao longo do tempo foram surgindo desafios que nunca estiveram nos planos, porque nem sequer existiam neste novo sector de actividade em Portugal”, afirmou, acrescentando ainda: “Guardo para mim as melhores recordações destes 4 anos”.
“A minha missão está longe de estar concluída.”
Apaixonado pela planta desde que constatou os benefícios na doença da avó, Sérgio mergulhou de cabeça na criação da empresa, com a mesma vontade de ajudar outras pessoas. “Adorei todos os dias, vivi-os com toda a energia e motivação. Um dos objectivos que estabelecemos desde o dia zero seria tornar a PH numa referência no cultivo de canábis. Em certa medida, acredito que no mínimo consegui deixar uma pequena marca nas páginas da história da canábis. Conseguimos, no primeiro ano de cultivo, fazer a planta automática de THC mais potente do mundo. É um orgulho enorme! Tivemos a Cinderella e a Skywalker a bater recordes de potência e fomos notícia por todo o mundo em 2021″, afirmou, orgulhoso. “Conheci pessoas incríveis e histórias de levar às lágrimas qualquer ser humano. Levo tudo isso para sempre no meu coração. Lamento imenso não ter conseguido ajudar mais. Existem milhões de pessoas que necessitam da ajuda de todos os profissionais da canábis um pouco por todo o mundo e não podemos falhar. Na parte que me toca, a minha missão está longe de estar concluída. Acredito no destino e acredito que o futuro depende muito do nosso esforço e dedicação”, disse ao Cannareporter. “Sangue, suor e lágrimas… hoje vejo que não há melhor descrição possível para estes 4 anos”, confessou.
Ricardo Morais escreveu na sua página de LinkedIn que é “com orgulho e com o sentido de dever cumprido” que deixa a Pure Healing: “Hoje, em Agosto de 2022, acontece um virar de página na minha vida profissional e no futuro da Pure Healing, uma vez que ambos seguiremos caminhos distintos. Foi um percurso cheio de aprendizagem, desafios, glórias, sucessos e insucessos, mas sobretudo de um enriquecimento interpessoal e profissional brutais. Sofremos, chorámos, rimos, lutámos, combatemos estigmas e preconceitos e batemos recordes… O projeto Pure Healing foi sempre pautado de muito empenho, esforço, dedicação, espírito de sacrifício, amor e carinho, mas sobretudo de um Acreditar e Querer que a Canábis efetivamente chegue a quem mais precisa – We Grow because We Care. É com orgulho e com o sentido de dever cumprido que deixo a Pure Healing. A todos aqueles que nos ajudaram a fazer da Pure Healing uma realidade o meu obrigado e eterno carinho. Viva Portugal. Viva a Canábis.”
Tanto Sérgio como Ricardo não revelaram ainda os seus planos para o futuro.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “O que diz Lisboa?” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e directora de programa da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” em 2018 e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
