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Economia

Legalização da canábis no Canadá: “Um grande começo, com mais para vir”, diz a Deloitte

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Foto: D.R. | The Greenfund

Em 2007, o Veterans Affairs Canada decidiu reembolsar um veterano de guerra pela sua utilização terapêutica de canábis. Hoje, o governo do Canadá comparticipa o tratamento com canábis a mais de 17 mil veteranos de guerra que sofrem de stress pós-traumático. A comparticipação de canábis para fins medicinais representa um custo cada vez maior para o Canadá. No próximo ano, a quantia pode chegar aos 200 milhões de dólares canadianos (153 milhões de euros), mas isso não parece ser um problema para o governo. As vendas legais de canábis contribuíram com mais de 43 mil milhões de dólares canadianos para o produto interno bruto (PIB) do Canadá, mais 13 mil milhões para o PIB de Ontário (33 e 10 mil milhões de euros, respectivamente). Mas nem tudo são rosas: os custos para o ambiente e para a sociedade também têm que ser considerados.

Desde que legalizou a canábis, o Canadá já ultrapassou mais de 11 mil milhões de dólares canadianos (8.4 mil milhões de euros) nas vendas a retalho do mercado para uso adulto e mantém mais de 90 mil empregos anualmente na indústria, de acordo com uma análise económica publicada pela consultora Deloitte Canada. (Consulte a versão integral (em inglês) no final deste artigo).

De acordo com a Deloitte, “durante o ano fiscal canadiano de 2021-2022 foram 17.495 os veteranos de guerra receberam o total de 115.942,159 de dólares canadianos (88.9 milhões de euros) de comparticipação do governo para adquirir 14.527,631 gramas de canábis (14.5 toneladas). A Statistics Canada estima ainda que o investimento no tratamento destes cidadãos chegue a mais de 200 milhões de dólares canadianos (aproximadamente 153 milhões de euros), de acordo com o Departamento para Assuntos de Veteranos do Canadá.

Receita supera largamente os custos com a saúde pública
Os custos do governo só com os veteranos sofreram um aumento de 30% relativamente ao ano passado e de 135% se comparados com 2019, mas o sector da canábis também tem sido responsável
por enormes receitas fiscais para o governo, nomeadamente em termos de receitas de impostos indirectos.

De acordo com a análise da Deloitte, a receita tributária gerada pela indústria da canábis acaba por voltar para os cidadãos do Canadá, à medida que os governos federal, provincial e municipal reinvestem em programas que beneficiam as suas comunidades.

No geral, a Deloitte estima que a indústria da canábis representou 15,1 mil milhões de dólares canadianos (11.6 mil milhões de euros) de receitas fiscais para o governo do Canadá e de três mil milhões para o Ontário.

O ano fiscal do Canadá decorre de 1 de Abril até 31 de Março do ano seguinte e os números impressionam qualquer país que esteja a pensar investir em saúde pública ou legalizar totalmente a canábis: as vendas de canábis legal no Canadá ultrapassaram os mil milhões de dólares canadianos (cerca de 766,6 milhões de euros) logo em 2020, pouco depois da legalização do uso adulto. Actualmente, a Deloitte estima que 11 mil milhões de dólares canadianos (8.4 mil milhões de euros), 67.8% venham das vendas a retalho do mercado de uso adulto. Mais de 90 mil empregos são mantidos anualmente pela indústria da canábis. A mesma consultora refere na sua análise que a canábis está já a contribuir de forma bastante considerável para a economia do Canadá, tendo significado uma receita de mais de 43 mil milhões de dólares canadianos  no PIB – Produto Interno Bruto – do país.

A indústria também fez investimentos de capital consideráveis, à medida que as empresas se estabeleceram e se prepararam para um crescimento contínuo, investindo em imóveis, infra-estruturas e tecnologia. As despesas de capital entre 2018 e 2021 totalizaram 29 mil milhões de dólares no Canadá e 9,2 mil milhões em Ontário, em grande parte devido à construção inicial das instalações de produção.

Comestíveis e uso tópico disparam
De acordo com os relatórios da Statistics Canada, as vendas de flor de canábis representam 58% das vendas totais, com 9.691.274 unidades embaladas vendidas, mas o mercado que mais cresceu foi o dos produtos comestíveis. Os “edibles” já representam 24% das vendas totais no país, com 3.999.801 unidades embaladas vendidas (dados de Dezembro de 2021). No período homólogo de 2019 tinham sido vendidas 812,793. Por outro lado, as vendas de extractos de canábis representam 17% das vendas totais, com 2.874.370 unidades embaladas vendidas. Também o uso tópico disparou no Canadá. Se em Fevereiro de 2020 tinham sido vendidas 3.170 unidades esse número subiu para 65,880 em Dezembro de 2021.

Os riscos sociais e ambientais de uma indústria promissora

A partir dos dados avançados pela Statistics Canada, a análise da Deloitte debruçou-se também nos riscos sociais e ambientais que a indústria pode representar, salientando que a indústria da canábis ainda tem muito trabalho para fazer, de forma a reflectir com precisão a sociedade canadiana e a diminuir o seu impacto no ambiente. “Deve investir em esforços para melhorar a diversidade, a equidade e a inclusão”, alerta a análise, que revela também que o sector da canábis produziu cerca de 5,8 a 6,4 milhões de quilos de resíduos plásticos entre 2018 e 2019. A Deloitte chama ainda a atenção para as questões energéticas, gestão eficiente da água e a qualidade do ar:

“A produção comercial de canábis, como outras formas de agricultura industrializada, requer muita energia e gera carbono e outros gases de efeito estufa significativos”.

O estudo realça ainda as preocupações com a utilização consciente da água, a qualidade do ar, os gastos com a energia, a poluição provocada pelas luzes ou a reciclagem dos materiais utilizados para os pacotes dos derivados da canábis, algo em que a indústria se deve debruçar seriamente, caso pretenda ser sustentável.

Leia a análise completa da Deloitte aqui:

Deloitte-Cannada-consumer-business-cannabis-annual-report-2021

 

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “O que diz Lisboa?” @saywhatlisbon. Laura é actualmente Editora do CannaReporter e da CannaZine, além de fundadora e directora de programa da PTMC - Portugal Medical Cannabis. Realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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