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Aldo Vidinha: “O mercado europeu está a evoluir a um ritmo mais lento do que o esperado”

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CEO e fundador da Stepwise Pharma & Engineering, Aldo Vidinha é um dos principais organizadores da conferência Medical Cannabis Europe, que se realiza na próxima semana em Lisboa. Com uma carreira na indústria farmacêutica, Aldo começou a trabalhar na área da canábis medicinal na Austrália, em 2016, tendo passado pela Holigen, em Sintra, e fundado posteriormente a sua própria empresa, a Stepwise.

Falámos com Aldo Vidinha para conhecer um pouco melhor o seu percurso na canábis e antever os principais destaques da conferência Medical Cannabis Europe, que promete ser um espaço para aprofundamento de conhecimento técnico mas também de networking, já nos próximos dias 15 e 16 de Setembro, na Associação Nacional das Farmácias, em Lisboa.

Desde quando trabalha com canábis e como começou a sua carreira nesta área?
Iniciei a minha colaboração na área da canábis medicinal em 2016, através de um contacto de um investidor para participar num projecto na Austrália, altura em que se estavam a dar passos concretos para a legalização da canábis medicinal neste país. Este projecto concluiu-se com a obtenção de uma licença de fabrico GMP, distribuição, importação e exportação de umas instalações em Sidney. Posteriormente, decidimos avançar com o projecto da Holigen (RPK Biopharma) em Portugal, em 2017. Enquanto COO desta empresa, liderei os processos de licenciamento, engenharia e gestão da construção das instalações, implementação dos processos de qualidade, produção, cultivo e validação, e inspeções para obtenção das autorizações aplicáveis para exercer operações de cultivo e fabrico GMP de flor seca, assim como distribuição, importação e exportação. As instalações em Sintra, com capacidade para cultivo indoor, foram concluídas com sucesso obtendo as licenças de cultivo e fabrico GMP sendo que as instalações em Aljustrel obtiveram licença de cultivo outdoor, distribuição, importação e exportação.

Em que altura decidiu fundar a Stepwise e qual é a sua principal área de actuação?
Em 2020, decidi abraçar um novo desafio, pois senti que poderia contribuir de outra forma, não só para o sucesso da indústria da canábis medicinal em Portugal, como também da indústria farmacêutica em geral. Para tal, fundei a Stepwise Pharma & Engineering, uma empresa de consultoria farmacêutica com um portfólio de serviços abrangente, especialmente desenhados para a indústria farmacêutica e das ciências da vida, incluindo a canábis medicinal. Os nossos serviços focam-se em prestar um serviço completo a empresas existentes ou investidores que queiram iniciar um projecto de raiz. Os nossos serviços vão desde desenvolver uma ideia inicial, fazendo uma análise de mercado e definição estratégica do negócio, passando pela procura de uma localização adequada, execução do projecto de engenharia, assegurando o cumprimento dos requisitos GACP e GMP aplicáveis, preparação dos Sistemas de Gestão da Qualidade ou avaliação a sistemas existentes, preparação da estratégica de validação (instalações, equipamentos, sistemas, processos, limpeza, métodos analíticos e transporte) assim como a execução da estratégia de validação definida. Finalmente, o apoio à preparação e durante as vistorias do Infarmed para obtenção das licenças. Na realidade, temos alguns projectos em que estamos a trabalhar o modelo chave-na-mão, de forma a dar um suporte total ao cliente e assegurar o sucesso da fase de implementação do negócio e obtenção das licenças. Por outro lado, temos um departamento especializado em Assuntos Regulamentares, que presta serviços de registo de produtos, incluindo Autorizações de Introdução no Mercado (AIM) e Autorizações de Colocação no Mercado (ACM).

Na próxima semana realiza-se a segunda edição da Medical Cannabis Europe em Lisboa. Como surgiu a ideia de criar esta conferência e qual foi o principal objectivo?
A ideia da conferência surgiu da motivação em criar valor para a indústria da canábis medicinal e ajudar a promover o seu sucesso. Neste sentido, o nosso objectivo passou por organizar uma conferência focada na parte técnica, promovendo a excelência no cultivo e fabrico de produtos à base da planta canábis para fins medicinais em Portugal. Pretendemos também dar oportunidade de discussão entre os vários operadores e outros stakeholders da indústria, através de momentos de networking e não só, para que partilhem experiências, promovendo assim a criação de sinergias e oportunidades de parcerias.

A quem se destina e o que podem esperar os participantes deste evento?
Este evento destina-se a quem faça parte da indústria, sejam eles operadores, fornecedores, prestadores de serviços e outros stakeholders ou pessoas que pretendam investir na indústria e/ou trabalhar na mesma. Todos os participantes podem esperar uma conferência com foco técnico, contando com a participação de especialistas nacionais e internacionais, que irão falar sobre as melhores práticas a nível mundial em termos de processos de cultivo, fabrico, distribuição, mercado, registo de produtos, entre outros. Por outro lado, podem também falar com fornecedores e prestadores de serviços de referência, que irão ter expositores para apresentar os seus serviços. Finalmente, teremos vários momentos de networking para promover a criação de sinergias e oportunidades entre os participantes, patrocinadores e convidados.

Quais são os principais destaques da conferência, nomeadamente em termos de palestras e oradores?
Todos os temas são actuais e importantes para a indústria, sendo difícil escolher os destaques. Poderei, no entanto, talvez destacar três: a actualização do estado do mercado da canábis medicinal em vários países, como Alemanha e Suíça, com oradores alemães e suíços; um painel de discussão sobre “Os desafios do desenvolvimento de produtos à base de canábis medicinal e o seu registo e colocação no mercado” em que teremos um painel moderado por Luc Richner, da Cannavigia, e com oradores como Michael Sassano, CEO da Somaí Pharmaceuticals, Manuel Oliveira, director geral do laboratório Iberfar, e António Vieira, CEO da Cannexporpharma. Destaco também uma apresentação sobre os principais métodos de extracção de canabinóides (CO2 e Etanol) com oradores da Tilray e da Holistic Industries nos EUA.

Que análise faz da situação da canábis em Portugal? E a nível internacional?Actualmente, existem 20 empresas autorizadas para o cultivo da planta canábis para fins medicinais e 6 empresas autorizadas para fabrico farmacêutico (flor seca, extractos/óleos ou ambos). Existem alguns desafios que se verificam no cultivo, maioritarimente relacionados com a consistência do produto obtido. Factores como, por exemplo, a genética utilizada (partindo de sementes em vez de clones ou cultura de tecidos), os métodos de cultivo aplicados e o controlo das condições ambientais durante o cultivo, contribuem para a morosidade em desenvolver e disponibilizar produtos com a consistência e qualidade necessária. Uma outra barreira ao crescimento do mercado, está relacionada com o facto da maioria dos operadores em Portugal estar focado em operações de cultivo e não contemplarem operações farmacêuticas (GMP). Ou seja, o produto que produzido em instalações autorizadas apenas para cultivo tem uma classificação como matéria-prima inicial (muitas vez chamado “certificação GACP”), sendo necessária transformação posterior deste produto (operações de pós-colheita) em instalações licenciadas para fabrico farmacêutico (GMP) de canábis medicinal, sendo este um dos requisitos para que o produto possa ser registado, colocado no mercado e vendido em farmácias. Por outro lado, o mercado europeu está a evoluir a um ritmo mais lento do que incialmente esperado por duas razões, na minha opinião: a dificuldade de acesso ao produto pelos doentes, disponibilidade de produtos adequados e a disponibilidade de produto consistente e com a qualidade necessária para ser registado como produto farmacêutico.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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