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CBD pode aumentar efeitos adversos do THC em produtos comestíveis

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Um estudo liderado por investigadores da Johns Hopkins Medicine descobriu que doses relativamente altas de canabidiol (CBD) podem aumentar os efeitos adversos do delta-9-tetraidrocanabinol (THC), o principal ingrediente activo da canábis causador do efeito euforizante atribuído à canábis. Os resultados desta investigação demonstram que, em produtos comestíveis de canábis, o CBD inibe o metabolismo ou a degradação do THC, o que pode resultar num efeito psicotrópico mais forte e prolongado.

Os resultados do estudo, publicado no passado dia 13 de Fevereiro na JAMA Network Open, descobriram que a quantidade máxima de THC medida nas amostras de sangue dos participantes foi quase duas vezes maior depois de consumirem um brownie contendo THC com CBD do que depois de comer um brownie com apenas THC, embora a dose de THC em cada brownie (20 mg) fosse a mesma. Além disso, a quantidade máxima de 11-OH-THC (um subproduto da metabolização do THC, que produz o efeito psicotrópico da canábis quando ingerida) foi 10 vezes maior depois de comer o brownie com o alto teor de CBD, em comparação com o brownie de alto teor de THC.

O trabalho examinou a farmacocinética (absorção e eliminação de uma substância pelo corpo) e farmacodinâmica (a resposta do corpo a uma substância) entre extractos de canábis cujas concentrações de THC e CBD eram variáveis.

“O facto de que o THC e o CBD foram administrados por via oral foi muito importante para o estudo e desempenhou um papel importante nos efeitos comportamentais e nas interacções medicamentosas que observámos”, afirmou Austin Zamarripa, Ph.D., investigador de pós-doutoramento no Johns Hopkins University School of Medicine e principal autor do estudo.

Os vários estudos humanos que se debruçaram sobre estas interações foram predominantemente por inalação ou por via intravenosa, ou não foram administrados em simultâneo. Por esse motivo, muitos dos dados existentes sobre interações entre THC e CBD podem não se aplicar a produtos comestíveis de canábis, como produtos cozinhados, doces e gomas, que são metabolizados pelo intestino e pelo fígado.

“De forma geral, observámos efeitos subjectivos mais fortes, maior comprometimento da capacidade cognitiva [de pensamento] e psicomotora [de movimentação] e maior aumento da frequência cardíaca quando a mesma dose de THC foi administrada num extracto de canábis com alto teor de CBD, em comparação com um extracto com alto teor de THC sem CBD”, diz Zamarripa.

O estudo, que testou cada tipo de extracto de canábis e um placebo nos mesmos indivíduos, em vez de usar pessoas diferentes para cada tipo de medicamento, foi conduzido de Janeiro de 2021 a Março de 2022 na Unidade de Pesquisa em Farmacologia Comportamental do Johns Hopkins Bayview Medical Center. Os investigadores recrutaram 18 participantes adultos (11 homens e 7 mulheres) que não tinham consumido canábis por pelo menos 30 dias antes do início do estudo.

Os voluntários do estudo participaram em três sessões, cada uma separada por pelo menos uma semana. Em cada sessão, os participantes consumiram um brownie contendo 20 mg de THC, 20 mg de THC e 640 mg de CBD, ou nenhum THC ou CBD (placebo). Nem os participantes nem os investigadores sabiam antecipadamente qual era o brownie que os participantes estavam a ingerir em cada sessão. Os participantes receberam igualmente um cocktail de drogas, composto por cinco medicamentos de acção no citocromo (CYP), entre elas: 100 mg de cafeína, 25 mg de losartan, 20 mg de omeprazol, 30 mg de dextrometorfano e 2 mg de midazolam. O cocktail era oferecido aos participantes cerca de 30 minutos após comer cada brownie. Segundo o comunicado, esta etapa adicional irá ajudar os investigadores a compreender as interações entre o THC e CBD no metabolismo de outros medicamentos e suplementos dietéticos usados regularmente pela sociedade.

Para criar uma base de comparação, foram recolhidas amostras de sangue de todos os participantes antes de cada sessão, juntamente com seus sinais vitais (frequência cardíaca e pressão arterial) e medidas de desempenho cognitivo e psicomotor. Os participantes forneceram amostras de sangue e urina em intervalos cronometrados por 12 horas e novamente aproximadamente 24 horas após a administração ter sido concluída. Os efeitos auto-relatados foram medidos com recurso ao Drug Effect Questionnaire (DEQ), uma ferramenta padronizada utilizada para avaliar aspectos de experiências subjetivas após receber uma substância psicoactiva, como o THC.

“Demonstrámos que com uma dose oral relativamente alta de CBD [640 mg] pode haver interações metabólicas significativas entre o THC e o CBD, de modo que os efeitos do THC são mais fortes, duradouros e tendem a refletir um aumento nos efeitos adversos indesejados.”, diz Ryan Vandrey, Ph.D., professor de psiquiatria e ciências comportamentais na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e autor sénior do estudo.

Vandrey observou que outro dos estudos recentes de sua equipa descobriu que os produtos CBD nem sempre são rotulados corretamente. “A nossa investigação sugere que é importante que as pessoas estejam cientes de que, se forem consumir um extracto de CBD em altas doses, também precisam ter em atenção as interações com outros medicamentos. Os indivíduos devem discutir com seu médico se devem considerar ajustes de dose de THC e outros medicamentos se também estiverem a consumir CBD”, diz Vandrey.

Os investigadores afirmam que estudos futuros são necessários para compreender melhor o impacto da dose de CBD e THC, concentração relativa, frequência de uso e diferenças individuais de saúde sobre a forma de metabolização do nosso organismo.

Além de Zamarripa e Vandrey, outros investigadores que contribuíram para o estudo incluem Tory Spindle, Renuka Surujunarain e Elise Weerts, da Universidade Johns Hopkins; Sumit Bansal da Universidade de Washington; Jashvant D. Unadkat da Universidade de Washington e do Centro de Excelência para Pesquisa de Interacção Medicamentosa de Produtos Naturais; e Mary F. Paine da Washington State University e do Centro de Excelência para Pesquisa de Interação Medicamentosa de Produtos Naturais.

O financiamento para esta pesquisa foi facilitado pelos Institutos Nacionais de Saúde Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa, especificamente o Centro de Excelência para Pesquisa de Interação Medicamentosa de Produtos Naturais (U54 AT0008909) e o Instituto Nacional de Abuso de Drogas (T32 DA007209 e P01 DA032507) .

Vandrey foi pago como consultor ou membro do conselho científico da Canopy Health Innovations, MyMD Pharmaceuticals, Mira Pharmaceuticals, Syqe Medical, WebMD, Jazz Pharmaceuticals e Radicle Science Inc. Spindle foi consultor pago da Canopy Health Innovations. Weerts tem contratos de financiamento de estudos pré-clínicos da MyMD Pharmaceuticals e da Mira Pharmaceuticals. Nenhum outro autor declarou conflitos de interesse.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Sou um dos directores do CannaReporter, que fundei em conjunto com a Laura Ramos. Sou natural da inigualável Ilha da Madeira, onde resido actualmente. Enquanto estive em Lisboa na FCUL a estudar Engenharia Física, envolvi-me no panorama nacional do cânhamo e canábis tendo participado em várias associações, algumas das quais, ainda integro. Acompanho a industria mundial e sobretudo os avanços legislativos relativos às diversas utilizações da canábis.

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