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3ª Medical Cannabis Europe Conference brilhou sob o sol quente de Lisboa

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A MCEC decorreu no auditório da Associação Nacional das Farmácias (ANF). Foto: Pedro Loureiro | MCEC

A 3ª edição da Medical Cannabis Europe Conference, que decorreu na solarenga Lisboa nos dias 28 e 29 de Setembro, reuniu cerca de 200 pessoas para ouvir 30 oradores de diversas áreas da indústria da canábis. Foram dois dias bastante ocupados, com 12 conferências que se debruçaram sobre tecnologia, tendências, compliance, qualidade, segurança e sustentabilidade, além de muitas oportunidades de networking. Com as temperaturas a atingir os 30ºC, as conversas informais fora do auditório continuam, sem qualquer dúvida, a ser um dos momentos altos para quem participa nas conferências sobre canábis medicinal, principalmente se tiverem sol, vista para o Rio Tejo e excelentes restaurantes mesmo ao lado para continuar o networking pela noite dentro. 

[Nota do Editor: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original.]

Fátima Carvalho Godinho, ao centro, organizadora do evento, num dos momentos de networking do evento. Foto: Pedro Loureiro | MCEC

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) acolheu esta semana a 3ª edição da Medical Cannabis Europe Conference, organizada pelo LEF – Laboratório de Estudos Farmacêuticos e pela Stepwise Science and Engineering, na qual participaram mais de uma centena de profissionais da área. Entre os participantes, encontravam-se essencialmente farmacêuticos, empresários, engenheiros agrónomos, técnicos de laboratório, especialistas em segurança e em transporte de mercadorias, advogados e estudantes, entre outros.

Na sessão de abertura, Miguel Samora, farmacêutico e membro do comité executivo da ANF reconheceu que ainda há muito trabalho pela frente, afirmando que é necessário “investir mais em informação e na qualificação dos nossos profissionais”, além de “empoderar as pessoas que precisam da planta”. Samora referiu ainda que “as farmácias estão prontas para enfrentar os desafios que se colocam no uso de canábis medicinal e para ser um exemplo de boas práticas e da recolha de provas” junto dos pacientes.

No primeiro dia de conferências, o foco esteve nas novas tendências do mercado, abordando temas como a evolução dos negócios relacionados com a canábis na Europa e as novidades em termos de cultivo.

“Em breve, os pacientes vão aborrecer-se com a selecção de strains disponível”

Xavier Gaya falou sobre tendências de cultivo e genéticas de canábis. Foto: Laura Ramos | Cannareporter

Xavier Gaya, Chefe de vendas para o mercado Europeu da empresa de cultivares e engenharia genética Klonetics, falou sobre os cruzamentos que garantem variedades mais estáveis, do “crop steering” ou as técnicas que se estão a usar para stressar as plantas, de modo a obter um melhor produto, bem como o que se está a fazer atualmente para a detecção de patógenos, entre os quais alguns vírus que podem afectar as plantas e interferir com a homogeneização dos canabinóides. Gaya chamou a atenção para um dos desafios que a canábis medicinal enfrenta: “actualmente estão a usar-se muito poucas strains e em breve os pacientes vão aborrecer-se com a selecção disponível”, o que pode levá-los a recorrer ao mercado recreativo — que, em muitos casos, são as redes de tráfico.

David Alonso, Head of Scientific Expansion da MF Detect também incidiu na importância de controlar os agentes patógenos nas plantas, como o Hop Latent Viroid Disease of Cannabis (HLVd), um vírus identificado pela primeira vez em 2019 na Califórnia, também conhecido por “doença de duds, “que pode permanecer nas flores secas até 18 meses após a infecção”.

O avanço nas tecnologias para cultivo e extracção foi outro dos focos das conferências.

Rui Soares (à direita), no stand da Paralab. Foto: Pedro Loureiro | MCEC

Rui Soares, da Paralab, mostrou os equipamentos existentes para os diversos métodos de extracção, e avançou que “neste momento, na Ucrânia procuram activamente produtos – extractos e flor – à base de canábis para aplicação medicinal”, revelando que foram contactados para este efeito. Já José Manuel Sánchez Guerrrero, engenheiro da Novagric, uma empresa uruguaia com mais de 45 anos de história e 10 anos de experiência na área da canábis, vaticinou que “no futuro muitas destas tecnologias [que actualmente estão a ser devolvidas para a canábis] irão ser ampliadas a outro tipo de cultivos”.

A importância de registar tudo o que acontece nas empresas

O segundo dia foi dedicado aos processos de Track & Trace, compliance, segurança e também ao ambiente e à sustentabilidade na indústria. “A indústria farmacêutica é responsável por 48 toneladas de CO2 por cada milhão de dólares em receitas”, avançou Bernardo Augusto, Head of Climate Change & Sustainability Services da Capgemini Portugal, explicando que “algumas das maiores preocupações estão relacionadas com os métodos de cultivo, sendo que um dos principais tópicos é o uso de agricultura regenerativa”. No entanto, o consumo energético, de água e os processos de embalamento também fazem parte das preocupações mais prevalentes na produção de canábis medicinal.

Luís Meirinhos Soares, da Cannavigia AG. Foto: Pedro Loureiro | MCEC

Na sua palestra “Compliance Challenges in software systems”, Luís Meirinhos Soares, consultor, auditor e especialista em GACP, GDP e GMP, actualmente a trabalhar na Cannavigia AG, apelou aos membros da indústria para a importância de usar as ferramentas de track & trace existentes: “Para os cultivadores, a principal preocupação é a regulamentação e os processos legais e de software facilitam a vida e ajuda nos processos”, disse, concluindo num tom provocador: “Estamos em 2023! Já não se usa o papel nem outros meios. Temos computadores, devemos usá-los porque registos consistentes são key”.

A conferência terminou com uma nota sobre a situação da canábis medicinal no Brasil apresentada por Viviane Sedola, fundadora da plataforma Dr. Cannabis e membro do Conselhão de Lula da Silva. Viviane falou sobre os “mais de 1000 processos judiciais” interpostos contra o estado pelos utilizadores de canábis medicinal no Brasil, “alegando o seu direito constitucional a plantar”. Como explicou a empreendedora: “No Brasil não se pode cultivar, não se pode extrair, nem se podem importar flores para extrair – a lei não permite a produção e fabrico de produtos nacionais”.

Viviane Sedola. Foto: Pedro Loureiro | MCEC

No entanto, o acesso à canábis é visto como um direito constitucional e portanto, através do “compasionate prescription”, os pacientes podem importar produtos para o seu uso pessoal, desde que provem que precisam deles. Apesar da atitude positiva e compreensiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a oposição contínua do Senado tem bloqueado o avanço da descriminalização e a legalização nem sequer parece estar no horizonte.

Cá fora, a hora dos coffee-breaks ficou marcada pelo networking e conversas animadas entre os participantes, que aproveitaram a oportunidade para visitar a selecção de posters, apresentada pela primeira vez na MCEC. Os vários stands tiveram afluência para apresentar as mais recentes soluções para a indústria da canábis e entre os coffee-breaks houve ainda tempo para uma visita ao incrível Museu da Farmácia, um dos espaços mais ricos no que respeita a espólio de obras relacionadas com farmácia, provenientes de todo o mundo. O Cannareporter aproveitou para falar com João Neto, historiador, museólogo e director do Museu da Farmácia, que nos ofereceu uma visita guiada e que também apresentou uma palestra dedicada à história da canábis desde a antiguidade nesta conferência. A sua entrevista será publicada em breve.

O interesse dos conteúdos trazidos pelos oradores à MCEC foi indiscutível, com insights interessantes em todas as áreas. No entanto, algumas apresentações ficaram marcadas por vários problemas relacionados com o som e pelo nível insuficiente de inglês e/ou pouca vocação para falar em público de alguns oradores. Tudo junto, resultou em alguma dificuldade de audição, compreensão e interesse por parte dos participantes, fazendo com que vários abandonassem a sala durante algumas das intervenções, optando pelo networking cá fora. Com o sol, as temperaturas de verão de Lisboa e a vista para o rio Tejo a partir da ANF e do Miradouro do Adamastor, o networking parece nunca ser demais!

O Miradouro de Santa Catarina (mais conhecido como “Adamastor”) em frente à Associação Nacional das Farmácias (ANF), em Lisboa. Foto: D.R.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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