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França: Macron não quer avançar com canábis medicinal em 2024

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Emmanuel Macron, Presidente da França. Foto: Belga

Numa reviravolta surpreendente, o governo francês, liderado pelo Presidente Emmanuel Macron, decidiu não propor a legalização da canábis para uso medicinal em 2024. Apesar do apoio público esmagador, principalmente por parte dos pacientes que participaram num projecto piloto, o governo de Macron parece estar a travar o que poderia ter sido uma mudança promissora para o panorama dos cuidados de saúde no país.

Até à data, a distribuição de canábis medicinal em França está confinada a um período experimental que envolve 2.000 pacientes, que sofrem de doenças como a epilepsia, cancro, dor neuropática, cuidados paliativos e espasticidade. Estes doentes têm tido um acesso limitado a medicamentos à base de canábis. O projecto tinha como objectivo avaliar a eficácia e a legalidade de tais tratamentos, com produtos disponíveis em farmácias seleccionadas.

Opinião pública e médica contrasta com a do governo

Os relatórios indicam que cerca de 91% dos doentes envolvidos no ensaio é a favor da legalização geral. Os doentes relataram melhorias significativas, especialmente na gestão dos sintomas, nomeadamente no alívio da dor e nos cuidados paliativos. No entanto, apesar do feedback positivo e dos benefícios evidentes, o governo francês parece hesitar em alargar o acesso.

Embora os doentes e os profissionais de saúde se tenham mobilizado para a integração da canábis para fins medicinais no direito comum, a oposição de grupos como a Missão Interministerial de Luta contra a Droga e os Comportamentos Aditivos (MILDECA) tem impedido o progresso. Os críticos argumentam que estas forças são movidas por considerações políticas e não pelo bem-estar dos doentes que delas podem beneficiar.

Figuras proeminentes da comunidade médica, como o Professor Nicolas Authier, presidente do Comité Científico da Canábis Medicinal, expressaram as suas preocupações. Salientam a necessidade de uma abordagem abrangente que dê prioridade ao bem-estar dos doentes em detrimento da oposição ideológica. Os especialistas apelam ao governo para que tenha em conta o impacto positivo substancial observado durante o período experimental, sublinhando que milhares de doentes crónicos aguardam ansiosamente por alívio.

O futuro da canábis para fins medicinais em França

Com o projecto piloto em curso a terminar em Março de 2024, o destino da canábis medicinal em França fica em suspenso, havendo dois cenários possíveis no horizonte:

  1. Prolongamento da experiência: O projecto poderia ser alargado para continuar a apoiar os doentes existentes, garantindo que recebem os medicamentos necessários. No entanto, não seriam inscritos novos doentes, deixando inúmeros outros sem acesso.
  2. Terminação completa: Em alternativa, a experiência poderá terminar abruptamente, deixando os doentes sem qualquer acesso a medicamentos à base de canábis. A menos que se encontrem soluções alternativas através de alterações, este cenário afigura-se terrível para os que dela necessitam.

Uma réstia de esperança

Apesar dos actuais contratempos, ainda há um vislumbre de esperança. As discussões em torno do Projecto de Lei de Financiamento da Segurança Social (PLFSS) 2024 podem constituir uma oportunidade para a legalização da canábis para fins medicinais. Poderão ser propostas alterações, quer pelo governo, quer através de esforços de colaboração com figuras influentes como Caroline Janvier, uma deputada da Assembleia Nacional de França.

O caminho para a legalização da canábis para fins medicinais em França parece estar cheio de obstáculos. Embora os doentes e os defensores da legalização continuem esperançados, a posição do governo suscita preocupações quanto ao futuro dos cuidados de saúde no país. À medida que o debate prossegue, o destino de milhares de indivíduos em sofrimento fica em suspenso, à espera de uma decisão que poderá ter um impacto significativo na sua qualidade de vida.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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