Ciência
Espanha: Estudo revela efeitos promissores do CBD (canabidiol) no controlo do alcoolismo
Uma investigação do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha demonstra que o canabidiol (CBD) e outros componentes da planta da canábis podem reduzir a dependência do álcool e prevenir recaídas, abrindo caminho para novos tratamentos em humanos.
A investigação, descobriu que o canabidiol (CBD) actua diretamente no sistema de recompensa do cérebro. Ao regular a libertação de dopamina, o CBD consegue diminuir significativamente o desejo compulsivo pelo álcool, resultando numa redução do consumo voluntário e na proteção dos neurónios contra danos inflamatórios causados pelo etanol.
O estudo, realizado em modelos animais pelo Instituto de Neurociências da Universidade Miguel Hernández-CSIC, em San Juan de Alicante, Espanha, analisou o impacto do cannabidiol (CBD) no contexto do Transtorno do Espetro Alcoólico Fetal (TEAF), uma condição causada pela exposição ao álcool antes do nascimento e caracterizada por alterações comportamentais e moleculares profundas.
Os investigadores usaram um modelo pré-clínico em camundongos (C57BL/6 J) para examinar como a exposição perinatal ao álcool afecta o comportamento emocional, biomarcadores cerebrais e a composição da microbiota intestinal, além de explorar a sua vulnerabilidade subsequente ao consumo de álcool.
A investigação demonstrou que os animais expostos ao álcool durante o período perinatal desenvolveram comportamentos semelhantes à ansiedade e à depressão, acompanhados por alterações dependentes do sexo na densidade sináptica e na expressão génica de sistemas neuroquímicos fundamentais, incluindo os sistemas dopaminérgico, serotoninérgico e endocanabinoide. Paralelamente, foi observada uma alteração significativa da microbiota intestinal, sugerindo uma perturbação do eixo intestino–cérebro induzida pela exposição precoce ao álcool.
O potencial do CBD (Canabidiol) no tratamento do alcoolismo e da disbiose
A administração crónica de CBD levou a uma atenuação significativa dos défices comportamentais e moleculares associados ao TEAF. O tratamento reduziu os comportamentos ansiosos e depressivos e contribuiu para a normalização de vários biomarcadores cerebrais alterados, com efeitos que variaram consoante o sexo dos animais, evidenciando uma resposta diferenciada ao nível neurobiológico.
O estudo revelou ainda que as fêmeas expostas ao modelo de TEAF apresentaram uma maior motivação para consumir álcool na idade adulta, indicando um risco acrescido de comportamentos aditivos. Mas o tratamento com CBD eliminou essa vulnerabilidade aumentada, sugerindo um potencial papel terapêutico deste canabinoide, não só na mitigação das alterações emocionais associadas ao TEAF, mas também na redução do risco de dependência alcoólica resultante da exposição perinatal ao álcool.
Com esta pesquisa, os investigadores espanhóis mostraram que os compostos da canábis ajudam a reduzir a ingestão de álcool e a prevenir recaídas, ao atenuar os gatilhos de stresse e os estímulos ambientais que levam à retoma do vício após a abstinência. Esta descoberta é particularmente relevante para o desenvolvimento de terapias contra o Transtorno por Uso de Álcool (TUA), uma área onde as opções farmacológicas actuais apresentam eficácia limitada.
Para além dos efeitos observados ao nível comportamental e cerebral, o tratamento com CBD demonstrou também um impacto positivo na disbiose da microbiota intestinal induzida pela exposição perinatal ao álcool. O CBD contribuiu para a modulação da composição bacteriana intestinal, atenuando desequilíbrios associados a inflamação, disfunção metabólica e alterações do eixo intestino–cérebro.
Estes resultados reforçam a hipótese de que os efeitos terapêuticos do CBD no contexto do TEAF não se limitam ao sistema nervoso central, mas envolvem igualmente uma regulação sistémica, na qual a restauração parcial da homeostase intestinal pode desempenhar um papel relevante na melhoria dos desfechos neurocomportamentais.
Embora os resultados pré-clínicos sejam promissores, os investigadores sublinham que o próximo passo fundamental é a realização de ensaios clínicos em humanos. Estes testes serão necessários para definir dosagens seguras e confirmar se o potencial terapêutico único do CBD pode ser aplicado de forma eficaz no tratamento de dependências químicas complexas na população em geral.
Leia aqui o estudo na íntegra:
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Sou um dos directores do CannaReporter, que fundei em conjunto com a Laura Ramos. Sou natural da inigualável Ilha da Madeira, onde resido actualmente. Enquanto estive em Lisboa na FCUL a estudar Engenharia Física, envolvi-me no panorama nacional do cânhamo e canábis tendo participado em várias associações, algumas das quais, ainda integro. Acompanho a industria mundial e sobretudo os avanços legislativos relativos às diversas utilizações da canábis.
Posso ser contactado pelo email joao.costa@cannareporter.eu



