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Carola Perez: “Se tiver de escolher, prefiro pagar pela canábis na farmácia comunitária do que recorrer de forma gratuita à farmácia hospitalar”

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Carola Perez, Concha Porras, Roberto Algar e David Molinero no Farmaforum, em Madrid. Foto: Filipa Nunes

A Presidente do Observatório Espanhol de Canábis Medicinal (OECM), Carola Perez,  disse na quinta-feira passada em Madrid que, se tiver de escolher, prefere pagar pela canábis medicinal na farmácia comunitária do que ter de esperar dois anos para recorrer de forma gratuita à farmácia hospitalar. “Nós pacientes já estamos acostumados a pagar pela maior parte dos nossos tratamentos, essa é a realidade”, constatou, alertando que o modelo hospitalar não vai funcionar. “Não será eficaz. Se tiver que escolher, prefiro pagar uma percentagem proporcional na farmácia comunitária do que passar pela burocracia da farmácia hospitalar, com tantos trâmites e dificuldades”, afirmou, acrescentando que o processo pode demorar dois ou mais anos e que, por isso, prefere ter um meio de acesso mais rápido.

Carola Perez falou à margem do Cannabisforum, que este ano decorreu dentro do Farmaforum, a maior feira da indústria farmacêutica de Madrid. A sala estava completamente cheia e foi preciso acrescentar mais cadeiras para acomodar todas as pessoas que quiseram assistir ao debate, que teve lugar no ano em que Espanha finalmente regulamentou a canábis medicinal. Muitas pessoas ficaram de pé, para poder ouvir os intervenientes da mesa redonda dedicada à realidade dos produtos de canábis medicinal em Espanha. Moderada por David Molinero, director da DEVECAN, a mesa contou também com a participação de Roberto Algar, Managing Director da Curaleaf na Suíça e Concha Porras, Brand Manager Pharma na Neuraxpharm Espanha.

Carola Perez sofreu um acidente de skate na adolescência, que a deixou com dor crónica permanente

Carola Perez relembrou que a legislação em Espanha, que prevê a dispensa de canábis medicinal apenas através da farmácia hospitalar, “não foi feita a pensar nos pacientes”. Mas, “a batalha política não acabou”, disse Perez, que alertou para o longo caminho que os pacientes ainda têm de percorrer. “Os produtos não estarão disponíveis tão cedo”, afirmou, ao mesmo tempo que revelou ter enfrentado um processo bastante complicado no Parlamento espanhol, aquando do debate para a regulamentação da canábis medicinal. “Foi um processo bastante discreto, mas muito cruel. Tivemos de enfrentar problemas dentro dos próprios partidos políticos e entre eles, o que se tornou bastante complicado. Nas reuniões políticas que tivemos, queriam deixar patologias como o cancro e a fibromialgia de fora, decidiram apenas pela dispensa hospitalar… é muito injusto”, lamentou.

“Tínhamos três leis diferentes, foi pedra atrás de pedra no caminho, e não foi nada divertido. Foi um processo bastante duro, injusto, mas confiamos que os técnicos o levem a cabo de uma maneira efectiva, rápida e segura. Que os médicos possam prescrever e ajudar os pacientes”, pediu.

Pacientes devem estar na primeira linha de pensamento das empresas

Também Roberto Algar, da Curaleaf, defendeu que os pacientes devem estar na primeira linha de pensamento das empresas, relembrando que “estamos todos no mesmo barco”. Algar deu como exemplo o caso de Portugal, onde, quatro anos depois, existe apenas um produto nas farmácias. “Falta vontade política, são os políticos que têm de se mover e as empresas e associações envolvidas têm de trabalhar com os reguladores, porque é, de facto, muito complicado”. A viver na Suíça, onde o processo é agora “bastante mais simples do que era no início”, Roberto Algar afirmou ainda que o acesso a canábis medicinal tem que ser “efectivo e fácil – primeiro para o paciente, depois para o médico”. Algar defendeu o modelo suíço, em que qualquer médico pode prescrever e qualquer farmácia pode dispensar. “A prescrição depende da vontade dos médicos e ainda há muito pouca formação, uma situação que é transversal a vários países”, continuou. “O estigma ainda existe e o sistema endocanabinóide ainda é muito desconhecido. Porque não se estuda mais isto nas faculdades de Medicina?”, questionou.

Farmacêutica sugere seguir o modelo do Infarmed
Concha Porras, disse que há cada vez menos estigma, mas a educação é importante: “na comunidade médica há avanços bastante positivos mas é necessária muita formação, as sociedades científicas têm de se unir para partilhar formação e informação de como usar a canábis”.

A farmacêutica da Neuraxpharm deu também o exemplo de Portugal no registo de medicamentos de qualidade. “Todos concordamos que precisamos do registo de produtos de qualidade, à semelhança do que faz o Infarmed em Portugal. Podemos perfeitamente fazer o registo em Espanha sem fase III de ensaios clínicos, como se faz com as ACM em Portugal”, afirmou. “Temos de esperar para ver. Não é algo como um comprimido estandardizado e temos que ajudar o regulador com a nossa experiência”, referiu. Concha Porras referiu ainda o exemplo da Alemanha, onde se usa a fórmula magistral e onde qualquer médico pode prescrever. “Não vamos restringir às especialidades, isso é complicado”, alertou, dizendo ainda que, se a Alemanha está mais avançada, então deveria harmonizar-se entre os países da Europa. Todavia, a farmacêutica criticou o facto de a Alemanha ter “deixado de fora muitas indicações, apesar de já existir evidência suficiente”.

Roberto Algar antecipou também o problema do acesso em Espanha, à semelhança de Portugal, antevendo que as empresas se foquem mais na produção para exportação. “Vai ser um pouco polémico. Produzimos aqui e disponibilizamos para outros países, sem que os espanhóis tenham acesso? O sistema tem que ser justo e igual para todos os pacientes, não só em Espanha mas em todos os países”, afirmou.

Situação do CBD é “um desastre” na Europa

Carola Perez abordou ainda a “moda” do CBD e alertou para o facto de a medicina não se basear apenas num canabinóide, mas em muitos. “Não existe só o CBD, é preciso que haja mais debate e formação na administração de diferentes canabinóides. Se formamos mal desde o princípio vamos causar muito dano nos pacientes”, confessou.

“O CBD é um desastre, porque não há regras”, afirmou Roberto Algar. A presidente do OECM mostrou-se preocupada também com a dificuldade em viajar transportando canábis e disse estar a trabalhar para mudar a situação: “os pacientes têm uma vida e também viajam para outros países. Sofremos muito stress quando temos de atravessar fronteiras, por isso estamos a trabalhar para que haja uma unificação de critério entre as regulamentações dos diferentes países”.

Por fim, Carola Perez insistiu na possibilidade do auto-cultivo, pois “nem todos os pacientes têm acesso a um clube”.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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